Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Em Roraima, indígenas trabalham como catadores de materiais recicláveis

Para alguns indígenas, a melhora de vida pode vir com a adequação do local à Lei de Resíduos Sólidos, com a atuação de cooperativas e uma usina de reciclagem

No AR em 19/04/2017 - 13:32

A melodia e a letra notadamente urbanas do rap servem de canal para expressar as angústias de Charlesson da Silva, 18 anos, catador de material reciclável e indígena wapixana. Ele não tem vergonha de trabalhar como catador em Boa Vista (RR), mas o que quer para o futuro está fora dos lixões. O rapper é o orgulho da mãe, Mara Wapixana. Ela também coleta material no lixão, mas não vai ao local com frequência.

A montanha de lixo à beira da BR 174, os urubus e o forte cheiro do chorume evidenciam o ambiente de trabalho desses indígenas. Não estão ali porque gostam, mas o lixão acaba sendo a última possibilidade na busca pela sobrevivência, como aponta o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade, em Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa.

Para buscar visibilidade e saber as principais demandas desses trabalhadores, em 2013, o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia começou a atuar com os indígenas coletores de material reciclável na capital roraimense. A maioria dos índios demandava a regularização da profissão de catador e o acesso a documentos. A coordenadora da equipe de trabalho do projeto, Marineide Peres da Costa, revela que grande parte dos indígenas são estrangeiros, principalmente da Guiana e, mais recentemente, da Venezuela. Para ela, o local é desolador.

A Funai acompanha de forma tímida a situação dos indígenas catadores, como define o próprio coordenador da fundação em Boa Vista, Riley Mendes.

Para alguns indígenas, a melhora de vida pode vir com a adequação do local à Lei de Resíduos Sólidos, com a atuação de cooperativas e uma usina de reciclagem. O aterro sanitário de Boa Vista deve se adequar à Lei até meados de 2018, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista. Os catadores, de acordo com o secretário Daniel Peixoto, serão contemplados. Mas há um porém em relação à indígenas estrangeiros.

Mas a possibilidade de mudança no lixão anima Márcio Wapixana, que espera trabalhar com carteira assinada. E a esperança desses cidadãos indígenas persiste, apesar do ambiente triste e insalubre do lixão.