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Tarde Nacional fala da história cultural do Carnaval

Especialista comentou as fases do carnaval de rua, o surgimento das escolas de samba e o caráter de crítica político-social da festa

Tarde Nacional - Amazônia

No AR em 12/02/2018 - 16:20

O Tarde Nacional retoma a história do Carnaval. A especialista em História Social e Cultural da Universidade Mackenzie, Mirtes de Moraes, fala sobre a origem da festa trazida pelos portugueses desde o período colonial até a recente retomada dessa manifestação em cidades que não tinham a tradição.

Segundo a especialista, no século XVIII, o “entrudo”, como era chamada a festa dos portugueses, vai tomando outros formatos devido à história social brasileira, especialmente a partir do processo de escravidão e exclusão social aqui no Brasil colônia. Nas ruas, a festa reunia escravos que pintavam rostos e jogavam farinha uns nos outros, além das chamadas “bolinhas de cheiros” - até desagradáveis, como urina.

Aos olhos da classe mais abastada, a festa era tida como violenta. Para compensar, a elite começou a fazer suas festas dentro de casa. “Estava se estabelecendo neste momento uma relação entre o espaço público e o privado. O espaço público era mal visto pelas elites”, afirmou Mirtes de Moraes.

No século XIX, conta ela, a prática do entrudo passa a ser criminalizada e reprimida. Surgem então dois movimentos: os bailes de carnaval em clubes e teatros promovidos pelas elites, reforçando a importância do espaço privado, e os cordões de carnaval nas ruas, reunindo pessoas que sofreram o processo de discriminação.

Segundo Mirtes de Moraes, havia nesses cordões uma estética muito parecida com a das procissões e festas religiosas. A rua torna-se, portanto, o espaço de manifestação, com exibição de capoeira e dos tocadores de bumbos.

A chegada das classes mais abastadas às ruas se dá no século XX, por volta de 1910, quando começam os desfiles em carros conversíveis, especialmente no Rio de Janeiro. Segundo a historiadora, as escolas de samba são desdobramentos dos cordões de carnaval e dos desfiles das elites em seus carros conversíveis.

É na década de 1960 que os empresários, especialmente os atrelados ao jogo do bicho, fazem com que as escolas de samba comecem a se tornar grandes negócios.

Hoje o Carnaval incorpora outros movimentos musicais que não só as marchinhas e o samba. É um momento também de expressão da liberdade, da crítica social associada às brincadeiras, característica dos brasileiros. Por outro lado, também, virou uma mercadoria cultural atrelada ao turismo.

Clique no player para ouvir na íntegra a entrevista.


O Tarde Nacional - Amazônia vai ao ar, de segunda a sexta-feira, às 16h, pela Rádio Nacional da Amazônia

 

 

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