Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, Amauri Pollachi, coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), apresentou uma visão crítica e técnica sobre a privatização da Sabesp, focando nos riscos sociais e operacionais da medida.
Pollachi argumenta que o modelo de privatização foca excessivamente no lucro dos acionistas, o que pode comprometer a universalização do serviço. Para ele, a privatização retira do estado uma ferramenta estratégica de planejamento urbano e saúde pública, transferindo um monopólio natural para o setor privado sem a garantia de que o serviço será melhor ou mais barato.
“A solução é cobrar do estado que a agência reguladora fiscalize fortemente o serviço. Hoje as reguladoras estão passando pano para as coisas erradas que estão sendo feitas pela Sabesp. Não pode haver essa fiscalização frouxa. Para o futuro, se a empresa continuar dessa forma, pensar na reestatização é uma solução.”
Segurança Pública
Outro assunto debatido no Alô Alô Brasil foi o Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a Datafolha divulgado recentemente. O relatório mostra que a violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros no último ano. 36% dos entrevistados mudaram o trajeto. 35,5% deixou de sair à noite. O Brasileiro passou a sair na rua sem celular e sem aliança com medo de assaltos. 41% dos entrevistados dizem conviver com o crime organizado.
O ex-secretário Nacional de Segurança Pública e ex-Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Mário Sarrubbo, falou dos desafios estruturais da segurança pública no Brasil e nas estratégias de combate ao crime organizado.
Ele defende a Proposta de Emenda à Constituição que visa dar mais poderes de coordenação ao governo federal em diretrizes de segurança, comparando o modelo ao SUS da saúde, onde o governo central define metas e os entes executam, garantindo um padrão de eficiência nacional.
Sarrubbo destaca que a criminalidade hoje é transnacional e interestadual, e que por isso os estados não podem atuar de forma isolada. Ele defende a integração de bancos de dados entre polícias civis, militares e federais para que a informação flua em tempo real e ressalta o papel das guardas municipais como pilar preventivo na segurança de proximidade.
Hantavírus
O programa Alô Alô Brasil trouxe ainda a entrevista com o médico infectologista Marcos Boulos sobre a primeira morte por hantavírus no Brasil em 2026 e a contaminação de vários passageiros durante um cruzeiro. O especialista buscou tranquilizar os ouvintes.
“O hantavírus não é novo. Há décadas tratamos dessa doença no Brasil. É uma doença geralmente rural, relacionada a contato muito próximos a roedores.”
O infectologista explica que no caso da contaminação de hantavírus no cruzeiro, não se tem certeza se houve transmissão humana ou não.
“A gente houve falar muito pouco de casos de transmissão aérea de pessoa para pessoa. É muito raro. A doença não vai virar uma epidemia ou pandemia. Só se o vírus sofrer uma mutação muito importante que permita essa passagem de humano para humano de uma maneira mais rápida e fácil.”