O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes participou do programa Alô Alô Brasil desta quinta-feira (14) e opinou sobre o desequilíbrio entre os poderes.
“Nos últimos anos, a gente tem tido uma democracia disfuncional. Um Executivo muito dependente do Congresso. Um Congresso muito empoderado em função também das chamadas emendas impositivas. E ambos, às vezes, carente de decisões do Supremo Tribunal Federal. Buscam no Supremo soluções para vários problemas. E quando o Supremo produz as soluções elas são criticadas. E aí você já ouviu falar em ativismo judicial. Tudo isso leva a uma incompreensão mútua. É preciso ter serenidade para prosseguir o nosso trabalho.”
O empresário Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), na 6ª fase da Operação Compliance Zero. Sobre a possível delação premiada de Daniel Vorcaro, o ministro disse que é preciso ter cautela.
“Devemos ser muito cautelosos sobre delação. Isso não é da nossa tradição jurídica. Estamos tentando fazer o melhor uso racional. Fica sempre a insatisfação. Devemos estar atentos para não cometermos erros do passado. Estamos em um ano político eleitoral. Tudo tende a se traduzir em modo eleitoral. Aguardemos as investigações”.
Ministro Gilmar Mendes também comentou sobre o fato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter pedido R$ 134 milhões ao ex-controlador do Banco Master para a realização de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Vamos aguardar se de fato isso tem repercussão jurídica ou repercussão penal – o pedido de patrocínio para um filme. Inevitavelmente tem repercussão política. Certamente não sabemos dimensionar a repercussão política. O fato é que a questão do Master se tornou uma questão gravíssima e é reveladora de uma série de problemas no nosso sistema jurídico financeiro. Revela falta de supervisão adequada.”
Por fim, Gilmar Mendes defendeu que a Corte Suprema é uma instituição imprescindível para a democracia.
Assista o programa na íntegra: