O governo americano classificou Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O programa Alô Alô Brasil entrevistou especialistas em combate ao crime organizado sobre os riscos dessa classificação à soberania brasileira. Na opinião dos especialistas, a classificação dos EUA não oferece combate efetivo ao crime organizado e prejudica o Brasil.
O promotor de justiça Lincoln Gakiya diz que a nova classificação traz implicações de natureza econômica e sanções a pessoas e a instituições financeiras que tenham, por acaso, transacionado com facções criminosas sem saber, além de prejudicar a cooperação de polícias dos dois países no combate ao crime organizado.
“É preciso aguardar para ver que tipo de implicações isso traz para o Brasil. Pode acontecer das informações se tornarem confidenciais ou secretas. Isso pode prejudicar a cooperação que já existe. Isso pode ser perigoso para o Brasil. O que precisaria é melhorar os acordos de cooperação e ter equipes conjuntas de investigação. Ter forças tarefas instauradas no Brasil, Estados Unidos e América do Sul concomitantemente para combate efetivo. EUA poderiam ajudar com recursos financeiros, tecnologia e treinamento.”
A desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivana David lembra que o Brasil tem instrumentos jurídicos de combate ao crime organizado como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, conhecido como Lei Antifacção, (Lei nº 15.358/2026), sancionada em março deste ano; além de convenções internacionais que o Brasil é signatário.
“Se coloca uma ideia de que vai resolver o problema no Brasil no que tange ao crime organizado que está totalmente fora do nosso regime processual penal constitucional. Ela impede ou pelo menos prejudica toda a estrutura de investigação que o país tem. Não vira mais assunto de polícia judiciária e polícia investigativa. Vira tema de segurança nacional e passa para a cúpula de Exército e Forças Armadas. Aí muda a forma de diálogo. E isso é um grande problema.”