O Caderno de Música deste domingo (03) celebra os 130 anos de nascimento de Ernesto Lecuona, pianista e compositor cubano que se tornou um dos nomes mais conhecidos da música latino-americana no século XX.
Filho de mãe cubana e pai espanhol, Ernesto Lecuona y Casado nasceu em agosto de 1895, em Guanabacoa, na região de Havana. Desde muito cedo demonstrou talento musical, tendo como primeira professora sua irmã mais velha, Ernestina Lecuona, também compositora. Aos cinco anos, deu seu primeiro recital de piano. E aos treze, compôs sua primeira marcha, “Cuba y América”.
Lecuona estudou no Conservatório Peyrellade, com mestres como Antonio Saavedra e Joaquín Nin. Aos 16 anos, graduou-se com medalha de ouro em interpretação no Conservatório Nacional de Havana. Em 1916, apresentou-se nos Estados Unidos, e no final da década de 1920, realizou recitais de sucesso em Paris, onde entrou em contato com as novas tendências da música francesa, cuja influência se reflete em sua escrita pianística e orquestral. Sua formação clássica, somada à herança popular cubana, moldou um estilo versátil, rico em ritmos e com forte apelo melódico.
Com mais de 600 obras, Lecuona compôs zarzuelas, danças, canções, trilhas para o cinema e peças sinfônicas. Autor de obras marcantes, como “Siboney”, “La malagueña”, “Crisântemo”, “Andalucía”, entre várias outras, suas músicas foram amplamente divulgadas por artistas como Desi Arnaz e Miguelito Valdés, e gravadas em diferentes estilos: do jazz ao erudito. Lecuona ocupa um lugar único na música latino-americana. Assim como Gershwin nos Estados Unidos, ele foi capaz de integrar linguagens distintas e elevar as tradições populares ao universo da música de concerto. Sua escrita para piano é elegante e virtuosística; suas melodias, marcantes; e sua paleta rítmica, profundamente enraizada na cultura afrocubana.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.