Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Música e História: composições em homenagem à Revolução Francesa

Edição traz obras de François-Joseph Gossec, Claude-Joseph Rouget de Lisle e Ludwig van Beethoven

Caderno de Música

No AR em 19/10/2025 - 12:30

O Caderno de Música deste domingo (19) apresenta a série “Música e Histórica”, apresentando a Revolução Francesa e alguns compositores e obras que foram influenciados por esse momento histórico.

Iniciada em 1789, a Revolução Francesa derrubou estruturas antigas e espalhou ideias de liberdade, igualdade e fraternidade. O impacto foi político, social e também cultural. As praças, as festas públicas e os espetáculos tornaram-se palcos de formação da nova identidade nacional. Um exemplo simbólico desse novo ritual cívico foi a grade Fête de la Fédération, celebrada em 14 de julho de 1790 no primeiro aniversário da tomada da Bastilha, quando música e cerimônia foram usadas para marcar a ideia de união nacional.

A Revolução criou demanda por hinos, marchas e música para cerimônias. Compositores e músicos foram chamados a servir atos públicos, com coros e orquestras em grandes celebrações. Alguns escreveram peças festivas e grandes cantatas que visavam unir a população em torno dos novos símbolos republicanos.

François-Joseph Gossec, por exemplo, compôs obras de grande escala ligadas ao novo regime e fez do espetáculo musical um instrumento político e cívico. Ele escreveu várias obras em homenagem à Revolução Francesa ou influenciadas por ela, incluindo “Le Triomphe de la République”, “L'Offrande à la Liberté”, “La Bataille” e a “Suite d'airs Revolutionnaires”.

Uma das obras mais famosas escritas para a Revolução Francesa é “La Marseillaise”, composta por Claude-Joseph Rouget de Lisle em abril de 1792, inicialmente intitulada “Chant de guerre pour l'Armée du Rhin”. Em pouco tempo, tornou-se o hino revolucionário mais conhecido e, depois, o hino nacional da França. No século XIX, Hector Berlioz escreveu uma orquestração grandiosa para coro e orquestra, que ampliou ainda mais o caráter solene e coletivo da canção.

Além dos hinos e da música de festa, a fase que envolve o período da Revolução Francesa produziu obras que traduzem as novas sensibilidades. Compositores como Méhul e Gossec responderam diretamente ao momento. Outros, como Haydn, Mozart e Beethoven, viveram na órbita intelectual que gerou a Revolução. Suas obras refletem, de maneiras diferentes, questões de individualismo, drama social e novos públicos para a música.

Apesar do caráter revolucionário e até otimista da fase inicial da Revolução Francesa, é importante destacar que nem todos viveram só de entusiasmo. Muitos abraçaram os ideais da Revolução e depois se chocaram com a violência do Terror ou com a virada autoritária de Napoleão. 

Um caso famoso é Beethoven. Jovem e idealista, ele admirou Napoleão a princípio e chegou a destinar a sua Terceira Sinfonia, “Eroica”, a ele. Quando Napoleão se proclamou imperador, Beethoven rasgou a dedicatória e afastou-se da imagem do líder. A história virou símbolo da decepção de muitos iluministas com o desenrolar dos eventos.

O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.

Criado em 15/10/2025 - 18:39 - Episódio Caderno de Música 19/10/2025

Mais do programa