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Caderno de Música aborda a relação entre música e artes visuais

O programa traz mais uma edição da série "Música e Outras Artes", com obras de Mussorgsky e Respighi

Caderno de Música

No AR em 30/11/2025 - 12:30

O Caderno de Música deste domingo (30) apresenta mais uma edição da série “Música e Outras Artes”, explorando as conversas que a música estabelece com diferentes expressões artísticas. Nesta edição, voltamos o olhar para as artes visuais, mais especificamente, para obras que nasceram diante de um quadro. Pinturas que deixaram de ser apenas imagem e passaram a existir também como som. O foco será nas obras de Mussorgsky e Respighi.

A relação entre música e pintura não é nova. Muitos compositores se inspiraram em cores, texturas e cenas captadas por artistas visuais. Essa aproximação aparece de modos variados: às vezes na tentativa de descrever um quadro; outras, na criação de atmosferas que traduzem o impacto emocional da obra; e há ainda peças que usam a pintura como ponto de partida para reflexões mais amplas.

Uma obra que frequentemente está associada a esse diálogo entre música e pintura é “Quadros de uma Exposição”, de Modest Mussorgsky. Escrita em 1874, a peça foi composta após Mussorgsky visitar uma mostra de trabalhos do arquiteto e pintor Viktor Hartmann, amigo de Mussorgsky que havia falecido recentemente, com apenas 39 anos de idade. A morte repentina do artista abalou Mussorgsky, que encontrou nessa exposição um modo de reviver a presença do amigo e transformar a experiência visual em música. Cada movimento retrata a impressão que um quadro específico lhe causou. Entre cada movimento, aparece a “Promenade”, que funciona como um passeio pela galeria e dá unidade ao conjunto. A obra nasceu para piano, mas ganhou projeção mundial com a orquestração posterior de Ravel. Ainda assim, é no piano que sua invenção aparece com mais nitidez, revelando uma música que nasce do encontro entre amizade, memória e imaginação. 

Outra composição bem conhecida que traz esse diálogo entre música e pintura é o “Trittico Botticelliano”, escrita em 1927 por Ottorino Respighi. Aqui, Respighi toma três pinturas de Botticelli: “A Primavera”, “O Nascimento de Vênus” e “Adoração dos Magos”. O compositor, conhecido por sua orquestração refinada e por seu interesse nas sonoridades antigas, encontrou nessas obras renascentistas um terreno ideal para explorar timbres delicados e texturas claras. No movimento dedicado à “Primavera”, a música sugere leveza e renovação. O movimento “Adoração dos Magos”, traz cores mais austeras e ecos de músicas históricas, criando um clima de reverência. Já em “O Nascimento de Vênus”, as linhas se tornam fluidas, quase suspensas, evocando a deusa surgindo do mar. 

 

Confira mais no Caderno de Música, que vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC. O programa teve a apresentação de Sidney Ferreira, com texto e produção de Carina Amorim.

Criado em 25/11/2025 - 11:59 - Episódio Caderno de Música 30/11/2025

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