O Caderno de Música deste domingo (09) dá início à série “Música e Filosofia”, em que explora a relação entre o pensamento filosófico e a arte dos sons, abordando ideias sobre o belo, o trágico e o sentido da criação artística. Nesta primeira edição, o destaque será para o filósofo Friedrich Nietzsche e sua ligação com a música.
Para Friedrich Nietzsche, a música era uma das artes mais importantes em seu pensamento filosófico e também de sua vida pessoal. O filósofo e poeta alemão, nascido em 1844, foi também músico e compositor, e via na música e nas artes a mais intensa expressão da existência humana. O pensador marcou a filosofia moderna com uma escrita intensa, poética e crítica, que questionava valores morais, religiosos e culturais de seu tempo.
Entre todas as formas de arte, a música ocupava um lugar especial na vida de Friedrich Nietzsche. Ele, inclusive, é o autor da famosa frase “Sem a música, a vida seria um erro”, escrita em 1889 em sua obra “Crepúsculo dos Ídolos”. Em seu primeiro livro, “O Nascimento da Tragédia”, Nietzsche distingue dois impulsos fundamentais da criação artística: o apolíneo (ligado à medida, à forma e à aparência), e o dionisíaco (ligado ao êxtase, à embriaguez e à união com a natureza). A música seria, para ele, a manifestação dionisíaca por excelência, uma linguagem que fala diretamente aos instintos, sem depender de palavras ou conceitos.
E uma característica menos conhecida de Friedrich Nietzsche, é o fato de que o próprio filósofo também era compositor. Suas peças revelam gosto romântico e melódico e, embora simples, mostram a busca de um filósofo que via a música como forma de pensamento e de expressão interior.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC. O programa teve a apresentação de Toni Villani, com texto e produção de Carina Amorim.