O Caderno de Música deste domingo (21) apresenta uma edição da série “História da Música” e fala sobre o nascimento da ópera na França, com obras de Lully, Rameau e Bizet.
De uma forma geral, a ópera nasceu na Itália no final do século XVI, como resultado das experiências da Camerata Fiorentina, que buscava recuperar a força expressiva do teatro da Antiguidade. Com compositores como Jacopo Peri e Claudio Monteverdi, o novo gênero assume forma, apresentando canto solo expressivo, ação dramática contínua e integração entre poesia, música e cena.
Quando a novidade chega à França, na década de 1640, o ambiente artístico era outro. A corte de Luís XIV valorizava a dança, a declamação teatral e o balé de corte. Assim, o país não adota simplesmente o modelo italiano que já começava a se popularizar pela Europa. Pelo contrário, a França busca criar um caminho próprio, que revela o gosto francês por equilíbrio, solenidade e espetáculo coreográfico.
Antes mesmo de existir uma ópera francesa plenamente definida, surgem formas híbridas como a comédie-ballet, parceria de Molière e Lully, que integra teatro falado, canto e dança. O gênero não gerou a ópera diretamente, mas revela o gosto francês por integrar palavra e música numa cena clara e teatral. Essa tradição, transformada com o tempo, ajuda a explicar por que gêneros posteriores, como a opéra comique, preservaram o diálogo e situações mais próximas do cotidiano.
A partir desse terreno fértil, Lully, que era o principal compositor da corte de Luís XIV, consolida, em parceria com o libretista Philippe Quinault, a tragédie lyrique, gênero que organiza a ópera segundo princípios franceses. A tragédie lyrique, também chamada de tragédie en musique, é composta normalmente por um prólogo alegórico, cinco atos, e importância central da dança e da declamação, além de coros amplos e uma ornamentação contida.
No início do século XVIII, outro gênero dramático francês floresce: a opéra-ballet, de caráter mais leve e episódico, e organizada em quadros independentes, sempre reunidos por um tema comum. Assim como na tragédie lyrique, a dança tem papel essencial, mas aqui aparece com mais liberdade e variedade, criando espetáculos brilhantes e divertidos.
Esses estilos iniciais barrocos, principalmente a tragédie lyrique e a opéra-ballet, moldaram uma tradição que permaneceu influente. A opéra comique, já no século XVIII, herda desse ambiente teatral francês o gosto pelo diálogo e por uma relação mais direta com a vida cotidiana. E no século XIX, obras como Les Huguenots, de Meyerbeer, e Carmen, de Bizet, ainda refletem esse legado, combinando ação dramática, dança, coros marcantes e grande atenção à palavra.
Confira mais no Caderno de Música. Neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC. O programa teve a apresentação de Sidney Ferreira, com texto e produção de Carina Amorim.