O Caderno de Música deste domingo (12) destaca a trajetória de Alberto Ginastera, um dos principais nomes da música latino-americana, que neste mês completaria 110 anos.
Nascido em Buenos Aires, em 11 de abril de 1916, filho de pai catalão e mãe italiana, Alberto Ginastera teve contato precoce com a música. Ele estudou no Conservatório Nacional de Música e começou a compor ainda jovem, recebendo aos 18 anos seu primeiro prêmio pelas Piezas infantiles para piano. Ao se formar no Conservatório, em 1940, Alberto Ginastera já chamava atenção com obras como o balé “Panambí” e as “Danças argentinas”, que o projetaram nacionalmente. Também atuou como professor e, em 1945, foi aos Estados Unidos com bolsa da Fundação Guggenheim, estudando com Aaron Copland e ampliando seu contato com a cena musical internacional.
De volta à Argentina, Ginastera consolidou sua atuação institucional e artística, fundando entidades importantes, como a Associação Nacional dos Compositores Argentinos e o Conservatório de La Plata, além de dirigir o Centro Latino-Americano de Estudos Musicais Avançados. Sua produção costuma ser dividida em três fases. A primeira, chamada de nacionalismo objetivo, vai aproximadamente de 1934 a 1948 e traz um uso mais direto de ritmos, gestos e imagens ligados à música popular argentina e ao universo dos pampas. É o período de obras como o balé Panambí, as Danças argentinas para piano e, sobretudo, o balé Estância, talvez sua partitura mais conhecida, inspirada na vida rural argentina.
A segunda fase da produção de Alberto Ginastera, caracterizada por um nacionalismo subjetivo, ocorreu entre 1948 e 1958 e mantém vínculos com esse universo, mas de forma mais elaborada e menos literal. Já a terceira fase composicional de Alberto Ginastera, conhecida como neo-expressionista, ocorreu entre 1958 e 1983, e marca o afastamento mais claro do nacionalismo direto. Ginastera passa a explorar dissonâncias, ritmos assimétricos, contrastes intensos e também procedimentos ligados ao serialismo.
A partir de 1968, Ginastera passa a viver fora da Argentina, estabelecendo-se em Genebra em 1970, onde ficou até os últimos momentos de sua vida. O compositor morreu em 25 de junho de 1983, aos 67 anos, deixando uma produção vasta que inclui óperas, concertos, quartetos de cordas e numerosas obras para piano. Além disso, sua influência como professor deixou marcas em nomes como Astor Piazzolla. Sua linguagem percorre um caminho singular: parte de um nacionalismo direto e chega a uma escrita sofisticada e universal, sem perder o vínculo com as raízes latino-americanas.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.