O Caderno de Música deste domingo (3) lembra os 170 anos de morte do compositor francês Adolphe Adam, um dos nomes mais importantes do teatro musical no romantismo, com contribuições decisivas para a ópera cômica e, sobretudo, para o balé.
Nascido em Paris, em 24 de julho de 1803, filho do professor e compositor Jean-Louis Adam, Adolphe teve contato precoce com a música, embora o pai não desejasse que ele seguisse carreira. Ele estudou no Conservatório de Paris, com nomes como François-Adrien Boieldieu, que foi fundamental para o desenvolvimento de seu estilo melódico. Ainda jovem, começou a escrever para os teatros de vaudeville e a atuar como músico de orquestra, experiência que lhe deu domínio prático da cena e das necessidades do teatro musical. Essa vivência foi fundamental para que se consolidasse como compositor teatral, com grande habilidade em escrever música funcional, expressiva e diretamente comunicativa.
Adolphe Adam se destacou por uma escrita marcada por melodias claras, senso dramático eficiente e grande apelo popular. Sua capacidade de integrar elementos populares à linguagem erudita, tornando sua música acessível sem perder refinamento, o que contribuiu para o sucesso de obras como Le postillon de Lonjumeau e Si j’étais roi. No campo do balé, Adam alcançou projeção duradoura principalmente com “Giselle”, de 1841. A obra é caracterizada pelo seu lirismo, leveza e intensidade dramática, tornando-se referência no repertório romântico. Além disso, a produção de Adolphe Adam dialoga com a tradição francesa da ópera cômica, ao lado de compositores como Boieldieu e Auber, ajudando a consolidar esse estilo no século XIX.
Apesar do sucesso, Adolphe Adam enfrentou sérias dificuldades financeiras, especialmente após investir na criação de um teatro próprio, que acabou fechando durante a Revolução de 1848. Para se reerguer, atuou como jornalista e, posteriormente, como professor de composição no Conservatório de Paris, formando músicos importantes como Léo Delibes. Adam faleceu em 3 de maio de 1856, deixando um catálogo vasto, com dezenas de óperas, balés e canções, entre elas o célebre “Minuit, chrétiens!”, difundido internacionalmente como “O Holy Night”.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.