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Caderno de Música destaca a obra “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë

Programa traz a edição da série "Música e Literatura" e destaca composições inspiradas nesta obra

Caderno de Música

No AR em 10/05/2026 - 12:30

O Caderno de Música deste domingo (10) apresenta mais um programa da série “Música e Literatura”, explorando os diálogos entre som e palavra. O tema desta edição é o romance “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, uma obra intensa, sombria e profundamente emocional, que inspirou diferentes compositores ao longo do tempo. 

Publicado em 1847, “Wuthering Heights” (no Brasil conhecido como “O Morro dos Ventos Uivantes”) é o único romance de Emily Brontë. Na ocasião, ela utilizou o pseudônimo Ellis Bell, evitando o preconceito contra mulheres escritoras, algo bastante comum na época. Inserido na tradição do romance gótico inglês, o livro apresenta uma atmosfera densa, marcada por paisagens agrestes, isolamento e paixões extremas. A história gira em torno da relação obsessiva entre Heathcliff e Catherine Earnshaw, atravessando gerações e expondo temas como amor destrutivo, vingança e conflito social. 

Na época de sua publicação, o romance causou estranhamento, e muitos críticos o consideraram excessivamente sombrio e moralmente perturbador. Com o tempo, porém, “O Morro dos Ventos Uivantes” passou a ser reconhecido como uma das grandes obras da literatura inglesa, justamente por sua força emocional e originalidade. A obra serviu de análise em diferentes áreas do conhecimento, como psicanálise e sociologia, e até hoje divide leitores entre fascínio e desconforto. E foi justamente esse universo intenso e turbulento de “O Morro dos Ventos Uivantes” que inspirou compositores de diferentes áreas. Talvez a versão musical mais conhecida dessa obra seja a canção “Wuthering Heights”, de Kate Bush, frequentemente regravada, inclusive pela banda Angra. 

No campo da música de concerto, o compositor Bernard Herrmann transformou o romance em uma ópera, concluída em 1951. A obra apresenta uma escrita contínua, de forte intensidade dramática, voltada para os conflitos psicológicos dos personagens. Outro olhar operístico sobre o romance de Emily Brontë vem do compositor Carlisle Floyd, que escreveu sua ópera Wuthering Heights em 1958, estreando no mesmo ano, na Santa Fe Opera. Floyd adota uma abordagem mais direta e teatral, com escrita vocal expressiva e foco nas relações humanas. Apesar disso, a ópera só ganhou sua primeira gravação comercial décadas depois, em registro realizado em 2015 e lançado no ano seguinte. 

E no cinema, “O Morro dos Ventos Uivantes” também recebeu diferentes leituras ao longo do tempo. Na adaptação de 1939, dirigida por William Wyler, a trilha composta por Alfred Newman (assim como outras categorias do filme), chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. A composição segue o estilo sinfônico da era de ouro de Hollywood, com temas amplos que reforçam o romantismo trágico da história. Já na versão de 1970, dirigida por Robert Fuest, a música de Michel Legrand traz um lirismo mais acentuado, com forte presença melódica. A trilha foi indicada ao Globo de Ouro e destaca o caráter emocional da narrativa. Na adaptação de 1992, dirigida por Peter Kosminsky, o compositor Ryuichi Sakamoto adota uma abordagem musical mais contida, com ênfase em atmosfera e introspecção, com forte presença de piano.

Em 2011, a diretora Andrea Arnold propõe uma leitura mais crua e sensorial do romance, criando uma paisagem sonora que reforça o isolamento e a aspereza do ambiente. Já a adaptação mais recente, de 2026, dirigida por Emerald Fennell, não busca uma transposição direta da obra, mas uma releitura mais livre e estilizada. Protagonizado por Margot Robbie e Jacob Elordi, o filme enfatiza o desejo e a intensidade física da relação entre Catherine e Heathcliff, com uma estética marcante e linguagem mais direta. A música de Anthony Willis acompanha essa proposta com uma escrita atmosférica, voltada mais para a construção de sensações do que para a narrativa tradicional. 

Do romantismo sombrio às releituras contemporâneas, o romance “O Morro dos Ventos Uivantes” continua a ecoar na música. Cada compositor revela uma nova camada dessa obra intensa e inesgotável. 

Confira mais no Caderno de Música, neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC. O programa teve a apresentação de Sidney Ferreira, com texto e produção de Carina Amorim.

Criado em 07/05/2026 - 16:08 - Episódio Caderno de Música 10/05/2026

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