Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Especial "160 anos de Erik Satie", no Caderno de Música

O programa traz a trajetória de um dos compositores franceses mais originais do século XX

Caderno de Música

No AR em 17/05/2026 - 12:30

O Caderno de Música deste domingo (17) homenageia os 160 anos de nascimento de Erik Satie. Figura excêntrica, irreverente e profundamente original, o compositor francês marcou a música do século XX com uma escrita simples, provocadora e cheia de personalidade. 

Nascido em 17 de maio de 1866, na cidade de Honfleur, na Normandia, Erik Satie teve as primeiras aulas de piano ainda na infância. Em 1878, mudou-se para Paris e, aos quatorze anos, ingressou no Conservatório da capital francesa. Por lá, porém, Erik Satie não se destacou, já que os professores o consideravam preguiçoso e pouco talentoso. Na verdade, desde novo ele foi pouco compreendido no meio mais tradicional. Décadas depois, esse mesmo músico desprezado seria reconhecido como um dos grandes inovadores da música moderna. 

Ainda jovem, Erik Satie começou a trabalhar como pianista em cabarés de Montmartre, especialmente no famoso Le Chat Noir. Foi nesse ambiente boêmio e artístico que conheceu nomes importantes, como Claude Debussy, e passou a desenvolver uma linguagem musical muito própria. Também nessa época surgiram algumas de suas obras mais conhecidas, como as três Gymnopédies, peças para piano de atmosfera melancólica e delicada, marcadas pela simplicidade das melodias e pelas harmonias pouco convencionais. 

A personalidade de Erik Satie chamava tanta atenção quanto sua música. Ele fundou a sua própria igreja, escrevia textos irônicos, fazia caricaturas e cultivava hábitos bastante peculiares, como por exemplo, o de se alimentar apenas de comidas brancas. Satie também ficou conhecido por possuir vários ternos idênticos e colecionar guarda-chuvas e cachecóis. Mas, por trás do humor e das excentricidades, havia um artista inquieto: aos trinta e seis anos, Erik Satie decidiu retomar os estudos musicais praticamente do zero e ingressou na Schola Cantorum de Paris, onde estudou contraponto e composição. Poucos anos depois, começou finalmente a conquistar reconhecimento público, principalmente graças ao apoio de Maurice Ravel. 

Em 1917, Satie alcançou enorme repercussão com o balé “Parade”, criado em parceria com Jean Cocteau, Pablo Picasso e os Ballets Russes. A obra causou escândalo ao incorporar sons de máquina de escrever, sirenes e tiros de pistola à música. Foi também nesse contexto que apareceu pela primeira vez a palavra “surrealismo”, usada por Apollinaire para definir o espetáculo. Erik Satie foi precursor do minimalismo e da chamada música ambiente, que ele descrevia como uma música capaz de preencher o espaço sem dominar a atenção do ouvinte. Sua obra influenciou compositores como Debussy, Ravel, Francis Poulenc e até nomes posteriores, como John Cage. Embora desprezado por muitos críticos de seu tempo, acabou se tornando uma figura central da vanguarda parisiense do início do século XX. O compositor morreu em 1925, aos cinquenta e nove anos e, mesmo cem anos depois, sua música continua desconcertante, inventiva e moderna. Entre ironias, simplicidade e ousadia, sua obra mudou discretamente os rumos da história da música. 

O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12:30, na Rádio MEC.

 

 

Criado em 16/05/2026 - 10:50 - Episódio Caderno de Música 17/05/2026

Mais do programa