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Especial "90 anos de Maki Ishii"

Programa apresenta a trajetória e as principais obras de um dos grandes nomes da música contemporânea japonesa

Caderno de Música

No AR em 31/05/2026 - 12:30

O Caderno de Música deste domingo (31) homenageia os 90 anos de nascimento do compositor japonês Maki Ishii, que foi um dos nomes mais importantes da música contemporânea do Japão no século XX.

Nascido em Tóquio, em 28 de maio de 1936, Ishii cresceu em um ambiente ligado às artes e à música e seu irmão, Kan Ishii, também se tornou um renomado compositor. Ainda jovem, Maki Ishii estudou composição com nomes importantes da música japonesa, como Akira Ifukube e Tomojiro Ikenouchi, além de regência com Akeo Watanabe. Em 1958, Maki Ishii se mudou para Berlim, onde aprofundou os estudos na Hochschule der Künste com Boris Blacher e Josef Rufer, este último discípulo de Arnold Schoenberg. O contato com a vanguarda europeia foi um dos fatores mais importantes na formação de Ishii, que passou a conhecer de perto as experiências do pós-serialismo, da música eletrônica e das novas técnicas composicionais que transformavam a música do pós-guerra. Ao retornar ao Japão, o compositor passou a desenvolver uma linguagem própria, aproximando técnicas contemporâneas ocidentais das tradições musicais japonesas.

A obra de Maki Ishii é marcada pelo diálogo entre culturas. Em vez de simplesmente misturar estilos orientais e ocidentais, o compositor criava contrastes e tensões entre diferentes formas de pensar a música. Um dos aspectos mais centrais da sua produção é o uso da percussão, explorando intensamente os tambores japoneses taiko, utilizados por grupos célebres como Kodo e Ondekoza. Obras como “Monochrome”, “Monoprism” e “Kyo-O” tornaram-se referências de sua produção, combinando força rítmica, experimentação sonora e elementos da música tradicional japonesa. Além das obras para percussão, Maki Ishii escreveu peças orquestrais, música de câmara, balés, obras eletrônicas e composições inspiradas em cerimônias budistas. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão o poema sinfônico “GIOH”, a obra “Sō-Gū II, para gagaku e orquestra”, o balé Kaguyahime e a ópera Tojirareta Fune.

Além da carreira como compositor, Maki Ishii teve importante atuação como ator, produtor e organizador cultural. Ele participou da criação de festivais e encontros dedicados à música contemporânea no Japão e na Alemanha, promovendo o intercâmbio entre músicos de diferentes tradições. Em 1973, fundou o TOKK Ensemble, grupo voltado à música contemporânea escrita para instrumentos tradicionais japoneses. O seu trabalho recebeu reconhecimento internacional ao longo de toda a carreira. Em 1999, ele recebeu a Medalha de Honra com Faixa Roxa, uma das principais condecorações culturais do Japão, concedida por sua contribuição à música do país (curiosamente, seu pai havia sido o primeiro a receber essa mesma honraria 44 anos antes).

Maki Ishii morreu em 8 de abril de 2003, aos 66 anos, mas sua obra permanece como exemplo singular de diálogo entre tradição e modernidade, aproximando a herança cultural japonesa das experiências mais inovadoras da música contemporânea internacional.

O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.

Criado em 28/05/2026 - 15:57 - Episódio Caderno de Música 31/05/26

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