Nesta semana no episódio do programa Festa do Disco, a jornalista Cibele Tenório recebe o cantor e compositor Odair José para uma conversa sobre seu álbum "O Filho de José e Maria", o famoso "disco maldito" lançado pelo artista em 1977 pela gravadora RCA.
Nos anos 70, Odair José vivia o ápice de sua trajetória, consolidado no cenário romântico-popular, muitas vezes rotulado como "brega", com sucessos estrondosos como "Vou tirar você desse lugar", "Pare de tomar a pílula" e "Cadê você".
No entanto, em 1977, ele surpreendeu a todos com um trabalho que rompeu totalmente com seu estilo anterior. Inspirado pelo conceito das óperas-rock, popularizado pela banda The Who na mesma época, Odair José ousou ao criar "O Filho de José e Maria". O álbum é um trabalho conceitual, onde cada faixa acompanha a jornada de um homem que, aos 33 anos, descobre seus verdadeiros anseios e vocações, traçando paralelos com a vida de Cristo.
Apesar de ser considerado hoje uma obra cult, altamente celebrada por colecionadores de vinil, "O Filho de José e Maria" foi um fracasso comercial na época.O álbum enfrentou enorme resistência e censura por abordar temas considerados delicados para o período, como separação e homossexualidade. Antes mesmo de ser lançado, sofreu críticas da própria gravadora, que o publicou com as dez faixas em uma ordem diferente da sequência original do autor. Seus amigos chegaram a questionar a sanidade do artista. As controvérsias atingiram o seu ponto máximo em 1978, quando o disco levou à excomunhão do cantor pela Igreja Católica.
Apesar das polêmicas, o álbum revelou uma sonoridade rica e sofisticada, expandindo o universo musical de Odair José, com evidentes influências do rock, além de flertes com o folk e o progressivo.
Ouça, no player acima, a entrevista com Odair José.