O ano era 1969 e Roberto Carlos precisava se reinventar. O movimento Jovem Guarda estava chegando ao fim, e o cantor que havia dominado a década precisava encontrar novos caminhos. O que veio a seguir foi um dos discos mais importantes da música brasileira e é ele que está na vitrola do Festa do Disco desta semana, na Rádio Nacional.
Roberto Carlos solitário e melancólico sentado na areia de uma praia deserta estampa a capa do álbum, e foi a partir desse disco que todos os trabalhos subsequentes passaram a levar apenas o nome do cantor. Um gesto simples que dizia muito: a Jovem Guarda havia ficado para trás. Era hora de ser Roberto Carlos.
O material apresenta as primeiras canções no estilo romântico que seria consagrado pelo artista na década seguinte, além de uma espécie de reconhecimento perante a MPB, que durante anos criticou duramente o movimento Jovem Guarda. As faixas "Não Vou Ficar", de Tim Maia, "Sua Estupidez" e "As Curvas da Estrada de Santos" dão prosseguimento à experiência de Roberto Carlos com a soul music e o funk.
O disco também guarda uma história pouco conhecida: a faixa "Do Outro Lado da Cidade" foi composta por Helena dos Santos, mulher negra, ex-empregada doméstica mineira, que ao longo de quase vinte anos compôs onze músicas gravadas pelo Rei. Uma parceria que mudou a vida dela e ajudou a construir a carreira dele.
Para contar as histórias por trás desse álbum, a jornalista Cibele Tenório recebeu o historiador e biógrafo Paulo César de Araújo, o maior pesquisador da obra de Roberto Carlos.
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