No último dia 13, o mundo ficou bem menos criativo com a perda do genial e inclassificável multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, aos 89 anos. O artista trilhou uma carreira brilhante durante quase sete décadas, e teve reconhecimento maior no exterior que no próprio país de origem.
A projeção internacional de Hermeto está intimamente ligada com sua ida para os Estados Unidos, no final dos anos 1960. O convite foi feito pelo amigo Airto Moreira – eleito melhor percussionista do mundo por oito vezes pela revista Down Beat, a bíblia do Jazz. Hermeto já era parceiro de Airto no Brasil, no Sambrasa Trio – juntamente com o baixista Humberto Clayber – e acompanhava ao piano a cantora Flora Purim, esposa de Airto, na boate Stardust, localizada na Praça Roosevelt, o centro musical de São Paulo na época.
Quando Hermeto desembarcou na terra do Tio Sam, Airto Moreira e Flora Purim já despontavam no cenário musical norte-americano. Flora inclusive foi eleita por quatro vezes seguidas como melhor cantora de jazz do mundo, também pela revista Down Beat. Hermeto foi apresentado a Miles Davis pelo casal, e teve três músicas gravadas pelo trompetista - um dos maiores expoentes do jazz de todos os tempos. Juntos, Airto, Flora e Hermeto participaram da criação do jazz fusion, vertente universalista do gênero que ganhou projeção nos anos 70.
Nesta edição do Mosaico, Flora Purim e Airto Moreira contam à apresentadora Ana Pimenta momentos criativos do amigo Hermeto, entre eles a gravação do lendário álbum “Slaves Mass” (1977) – primeiro disco solo de Hermeto produzido por Airto e Flora de forma visionária. Na época, o disco teve baixa vendagem, mas entrou para a história como um dos trabalhos mais icônicos do Bruxo Alagoano.