Em 2026, a cantora, compositora e atriz acriana Nazaré Pereira completa 48 anos de carreira. Desde a infância em Xapuri, onde o pai trabalhava como seringueiro, até o estrelato em Paris nos anos 80, ela trilhou um caminho digno de filme, com a obstinação típica das mulheres da Amazônia. Hoje, sua vida se divide entre a capital francesa e Belém do Pará - cidade onde começou a fazer teatro nos anos 70. "Eu nunca escondi que sou uma atriz que canta", afirmou.
A artista foi a primeira brasileira a receber o prêmio "Louis Ganne de Música Cantada", pelo conjunto de sua obra. A comenda é concedida pela Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música, associação que cuida dos direitos autorais na França desde 1851.
Neste Mês da Mulher, a Rádio Nacional da Amazônia presta uma homenagem a Nazaré Pereira, e celebra sua trajetória de amor à arte e ao Brasil. "Na Europa, eu sou uma cantora brasileira "tout simplement". Não canto só carimbó... sou apaixonada pelo Milton Nascimento, Gilberto Gil... também o forró, o xote, e outros ritmos que representam nosso país".
Em entrevista à apresentadora do programa Mosaico, Ana Pimenta, ela relembra momentos marcantes de sua carreira, entre eles o encontro e a amizade com Luiz Gonzaga. A dupla compôs "Acre Doce" em 1981, e no ano seguinte se apresentou em Paris. Nazaré chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso da França com a canção "O Cheiro da Carolina", imortalizada pelo Rei do Baião.