O Música e Músicos do Brasil deste sábado (7), em homenagem à semana do Dia Internacional da Mulher, apresenta um pouco da história da música clássica brasileira a partir da criação feminina. O programa traz obras de Chiquinha Gonzaga, Dinorá de Carvalho, Eunice Catunda, Marisa Rezende e Silvia Berg.
Ao longo da história, a presença das mulheres na música de concerto foi, muitas vezes, silenciada ou secundarizada. Ainda assim, compositoras brasileiras atuaram com vigor em diferentes épocas, linguagens e contextos estéticos: do nacionalismo às vanguardas do século 20; da escrita pianística à ópera contemporânea; e da música coral às formações camerísticas mais experimentais.
Nesta edição, o programa reuniu obras de algumas das principais compositoras brasileiras, vivas e já falecidas, cujas produções revelam densidade técnica, inventividade formal e forte identidade estética.
O programa inicia com Chiquinha Gonzaga. Pioneira na composição e na regência no Brasil, Chiquinha atuou na transição entre o teatro musical, a música instrumental e a nascente música urbana de concerto. Ela foi a primeira pianista de choro e a primeira mulher a reger uma orquestra popular no país. Autora da marcha “Ó Abre Alas” (a primeira marchinha carnavalesca), tornou-se referência histórica: em 2012, uma lei instituiu o Dia da Música Popular Brasileira comemorado no dia de seu aniversário.
Teremos também a compositora e pianista Dinorá de Carvalho. Fundadora da Orquestra Feminina de São Paulo, a primeira do gênero na América Latina, Dinorá destacou-se por uma linguagem de matriz nacionalista, que ela situava no “experimentalismo sinfônico”, com melodias amplas e caráter brasileiro. Ela também foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Música e é autora de mais de 150 obras para diferentes formações instrumentais.
A compositora Eunice Katunda foi integrante do grupo Música Viva e aluna de Hans-Joachim Koellreutter, dialogando inicialmente com o dodecafonismo. Mais tarde, aproximou sua criação de uma estética engajada, vinculada à identidade nacional e à transformação social, afastando-se do grupo. No fim dos anos 1950, Katunda mergulhou na cultura afro-brasileira, que passou a inspirar diversas de suas obras.
São inúmeras compositoras que contribuíram para a história da música em nosso país. Além das já mencionadas, destacam-se também: Marisa Rezende, que possui atuação marcante na música contemporânea, trazendo um estilo caracterizado pela linguagem refinada, especialmente no repertório camerístico; Kilza Setti, importante pesquisadora das culturas brasileiras, cuja produção reflete seu interesse etnomusicológico; Jocy de Oliveira, compositora, pianista e diretora multimídia, com produção voltada à ópera contemporânea e à performance; e Silvia Berg, com obras camerísticas e vocais ligadas à criação atual.
O Música e Músicos do Brasil vai ao ar neste sábado, às 19h, na Rádio MEC.