O uso de cosméticos entre crianças e adolescentes tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil, impulsionado por influenciadores mirins, tutoriais de skincare nas redes sociais e uma pressão estética que começa cada vez mais cedo. Diante desse contexto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) elaborou um conjunto de recomendações com o objetivo de orientar sobre os cuidados e os possíveis riscos associados a esse hábito.
Em entrevista ao programa Nacional Jovem, da Rádio Nacional da Amazônia, a médica Lígia Reato, do Departamento de Medicina do Adolescente da SBP, explicou que o corpo das crianças ainda está em desenvolvimento e não está preparado para receber substâncias presentes em maquiagens, alisantes, perfumes e produtos anti-idade. O uso precoce e exagerado desses itens pode causar alergias, irritações, alterações hormonais e até antecipar a puberdade.
Além dos efeitos físicos, a médica destaca os impactos emocionais e culturais desse comportamento. Ela observa que meninas muito novas, com cerca de 8 anos, já estão usando maquiagem completa para ir à escola e alisando o cabelo como se isso fosse uma exigência.
Diante desse cenário, a orientação é manter os cuidados básicos: sabonete neutro, protetor solar apropriado para a idade e hidratantes suaves. Nada de seguir dicas da internet sem orientação médica.
Mais do que impor restrições, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos, orientem e abram espaço para o diálogo. Conversar, escutar e acolher são atitudes essenciais. O cuidado com a aparência deve respeitar o tempo de cada fase da vida, valorizando a autoestima e as características naturais de cada criança.
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