A divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 escancara uma realidade que, infelizmente, permanece alarmante: crianças e adolescentes continuam sendo as principais vítimas de violência sexual no Brasil. Em um único ano, foram registrados mais de 87 mil casos de estupro, sendo 60% contra menores de 14 anos.
Os números são ainda mais perturbadores quando olhamos para os recortes de gênero e idade — 85% das vítimas são meninas, mas o crescimento de registros entre meninos de até 13 anos foi de 10,6%, mais do que entre as meninas (5,7%).
O que esses dados revelam sobre a nossa sociedade? Eles indicam um aumento real de casos ou uma maior disposição em denunciar? E o que estamos fazendo — ou deixando de fazer — para proteger as infâncias brasileiras?
Para conversar sobre este cenário, seus significados e os caminhos para enfrentamento, entrevistamos Luciana Temer, advogada, professora universitária e diretora-presidente do Instituto Liberta, uma organização que atua justamente na prevenção e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Uma conversa necessária, urgente e que exige escuta ativa, responsabilidade e ação.
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