O hábito de compartilhar fotos e vídeos de crianças nas redes sociais, conhecido como sharenting , da junção das palavras em inglês share (compartilhar) e parenting (cuidar como pai ou mãe), foi tema de entrevista no Nacional Jovem com a diretora-executiva da Childhood Brasil, Laís Peretto.
Segundo ela, a ideia não é demonizar as redes sociais nem o ato de compartilhar, já que muitos pais fazem isso por carinho e orgulho, mas alertar para riscos que muitas vezes passam despercebidos em um ambiente que funciona como uma via pública.
Entre os principais riscos estão a exposição de dados como escola e local onde a criança mora, a falta de consentimento, já que crianças não têm maturidade legal para autorizar esse tipo de postagem, e o uso indevido das imagens no presente e no futuro.
Laís citou uma pesquisa do governo da Austrália que mostrou que mais de 50% das imagens encontradas em sites de pornografia infantil foram originalmente compartilhadas por pais ou responsáveis. O cenário se agrava com o uso da inteligência artificial, que permite a modificação de imagens sem deixar rastros claros.
Para reduzir esses riscos, a especialista orienta evitar fotos da criança sozinha, priorizar imagens em grupo, revisar as configurações de privacidade e, principalmente, nunca compartilhar fotos de crianças de fralda, tomando banho, de biquíni ou com pouca roupa, por apresentarem maior risco de uso indevido.
A entrevista também abordou a legislação brasileira. Em 2024, foi aprovado o ECA Digital, Lei nº 15.211, que amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. A lei ainda aguarda regulamentação e deve entrar em vigor a partir de março, enquanto plataformas digitais já passaram a oferecer mais ferramentas de segurança. A mensagem final é de reflexão: compartilhar pode parecer simples, mas exige cuidado, consciência e responsabilidade quando envolve a infância.
Ouça a entrevista completa no player acima e entenda por que o compartilhamento de imagens de crianças nas redes sociais exige cuidado, consciência e responsabilidade, além de conhecer os riscos envolvidos e o que diz a legislação brasileira sobre a proteção da infância no ambiente digital.
O Nacional Jovem é apresentado por Edileia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.