A decisão que absolveu um homem acusado de estuprar uma menina em Minas Gerais levou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) a anunciar que vai recorrer do caso. A repercussão reacendeu um debate que vai além do processo judicial: a forma como o Brasil enfrenta, ou falha em enfrentar, a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Para especialistas, episódios como esse evidenciam não apenas questões técnicas do Direito, mas também aspectos culturais profundamente enraizados. A violência sexual infantil ainda é cercada por silêncio, descrédito da palavra da vítima e, muitas vezes, pela culpabilização de quem denuncia. Ao longo da história, o país construiu uma cultura marcada por desigualdades de gênero, naturalização de abusos e dificuldades na responsabilização de agressores.
Dados nacionais mostram que a maioria dos casos de violência sexual contra crianças ocorre dentro do ambiente familiar ou próximo à vítima, o que torna a denúncia ainda mais difícil. Além disso, o medo, a dependência emocional e a falta de informação contribuem para a subnotificação.
Para entender por que o tema ainda é tão polêmico e quais caminhos podem fortalecer a proteção de crianças e adolescentes, o Nacional Jovem conversou com Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, organização que atua no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Ouça a entrevista completa no player acima.
O Nacional Jovem foi apresentado por Edileia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.