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Violência contra crianças e adolescentes segue alarmante na América Latina e Caribe, diz relatório

Estudo da OPAS e do Unicef revela números preocupantes de homicídios, bullying e violência sexual. Mas reconhece também experiências brasileiras que ajudam a prevenir e enfrentar o problema

Nacional Jovem

No AR em 03/02/2026 - 14:00

A violência continua sendo uma grave ameaça à vida, à saúde e ao bem-estar de milhões de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe. É o que alerta uma nova publicação conjunta da Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que reúne dados atualizados sobre homicídios, violência doméstica, bullying, violência sexual e exposição a situações de risco em diferentes contextos.

Entre 2015 e 2022, mais de 53 mil crianças, adolescentes e jovens foram vítimas de homicídio na região. Os dados mais recentes mostram uma queda na taxa de homicídios entre adolescentes do sexo masculino, mas um aumento expressivo entre meninas de 15 a 17 anos, cuja taxa mais que dobrou em apenas um ano. Segundo o relatório, esses crimes estão associados ao avanço da violência armada, ao crime organizado, ao fácil acesso a armas de fogo, às desigualdades sociais e a normas de gênero nocivas.

A publicação também chama atenção para o fato de que a violência começa cedo. Na América Latina e no Caribe, seis em cada dez crianças de até 14 anos sofrem algum tipo de disciplina violenta dentro de casa, enquanto um em cada quatro adolescentes vivencia situações de bullying escolar. Além disso, quase uma em cada cinco mulheres relata ter sofrido violência sexual antes dos 18 anos. O estudo alerta ainda para o crescimento da violência em ambientes digitais, embora os dados disponíveis ainda sejam limitados.

Apesar do cenário preocupante, o relatório destaca soluções baseadas em evidências e aponta o Brasil como exemplo em algumas políticas públicas. Entre elas estão programas de apoio à primeira infância, como o Primeira Infância Melhor, e avanços no sistema de justiça com a Lei da Escuta Protegida, que busca evitar a revitimização de crianças e adolescentes. Iniciativas como o Selo Unicef e a Agenda Cidade Unicef também são citadas como estratégias de fortalecimento da rede de proteção.

O estudo reforça que enfrentar a violência exige ações articuladas e contínuas, com leis efetivas, controle de armas, capacitação de profissionais, apoio às famílias e investimento em ambientes seguros de aprendizagem e convivência. Sobre esses dados e os caminhos possíveis para proteger crianças e adolescentes, o Nacional Jovem conversou com Luis Bittencourt, oficial de Proteção Contra Violências do Unicef no Brasil.

Ouça mais no player acima. 

O Nacional Jovem é apresentado por Edileia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.

Criado em 03/02/2026 - 16:21

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