Na semana do Dia Internacional da Mulher, quando episódios de misoginia e violência continuam a ganhar destaque na imprensa nacional, o debate sobre prevenção e proteção torna-se ainda mais urgente. O Brasil segue enfrentando índices alarmantes de feminicídio, a forma mais extrema de violência contra a mulher, que reflete desigualdades históricas e padrões culturais profundamente enraizados.
Diante desse cenário desafiador, uma pergunta essencial ganha força: a transformação social pode começar na escola?
Para aprofundar essa discussão, o programa Nacional Jovem conversou com a Dra. Ana Flávia do Amaral Madureira, doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília e especialista em Psicologia Escolar, Social e do Desenvolvimento Humano. Com atuação voltada para processos identitários, prevenção da violência e promoção da cultura de paz nos espaços de ensino, ela também é organizadora do livro "Psicologia & Educação: cultura de paz, diversidade e direitos humanos".
Segundo a especialista, a escola é um ambiente privilegiado para a formação de valores, para a desconstrução de estereótipos de gênero e para o desenvolvimento de relações baseadas no respeito. Desde a educação infantil, crianças já reproduzem falas, crenças e comportamentos que refletem estruturas machistas presentes na sociedade. Por isso, trabalhar temas como igualdade de gênero, empatia e resolução não violenta de conflitos é fundamental para reduzir, no futuro, os índices de violência contra meninas e mulheres.
A Dra. Ana Flávia destaca que a construção de identidades acontece intensamente no espaço escolar, e é nesse processo que estudantes formam percepções sobre si mesmos, sobre o outro e sobre papéis sociais. Promover além de debates, projetos praticos artisticos que valorizem a diversidade contribui para quebrar ciclos de violência e para estimular relações mais saudáveis.

Existem, no Brasil e em outros países, iniciativas exitosas que mostram que programas de educação para igualdade de gênero e cultura de paz reduzem comportamentos agressivos e aumentam a empatia entre estudantes. Mesmo assim, muitas escolas ainda enfrentam resistências, especialmente em momentos de discursos autoritários que buscam restringir debates sobre direitos humanos. Para superar esses desafios, a psicóloga defende a importância da formação continuada para profissionais da educação e do compromisso coletivo com ambientes escolares mais justos e acolhedores.
Na entrevista, a Dra. Ana Flávia deixa uma mensagem especial para educadores: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, origem ou religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”, ela deixa está célebre frase de Nelson Mandela.
O Nacional Jovem foi apresentado por Edileia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.