No coração da Amazônia, a ciência brasileira avança a partir do conhecimento da floresta. Uma pesquisa liderada por mulheres da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) revelou um potencial inovador da manteiga de murumuru, matéria-prima natural extraída de uma palmeira típica da região amazônica, como base sustentável para formulações farmacêuticas e cosméticas de uso tópico.
Os estudos demonstraram que a manteiga de murumuru é capaz de liberar fármacos de forma controlada por até 48 horas com apenas uma aplicação, um desempenho significativamente superior ao de produtos convencionais disponíveis no mercado, que exigem até três aplicações diárias. A descoberta representa um avanço importante para a área da saúde, ao unir tecnologia farmacêutica, conforto para o paciente e sustentabilidade ambiental.
A pesquisa é coordenada pela professora e pesquisadora Kariane Nunes, responsável pelo Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Farmacotécnico e Cosmético (LP&DFC) da Ufopa que conversou com o programa Nacional Jovem. O trabalho é resultado de anos de investigação científica e destaca o protagonismo feminino na produção de conhecimento de ponta na Amazônia.
Entre os diferenciais da pesquisa está o desenvolvimento de uma tecnologia baseada na formação de uma mesofase hexagonal, uma estrutura organizada em nível microscópico que permite a liberação lenta e contínua do princípio ativo na pele. Essa característica torna a manteiga de murumuru uma forte candidata a substituir bases farmacêuticas tradicionais, além de abrir caminho para novas aplicações na indústria cosmética e farmacêutica.
Além dos benefícios terapêuticos, o uso do murumuru também apresenta vantagens ambientais, por se tratar de um insumo renovável, associado a cadeias produtivas locais e ao uso sustentável da biodiversidade amazônica.
O estudo também reflete a força da nova geração de cientistas brasileiras. Aos 25 anos, a jovem pesquisadora Amanda Esquerdo, integrante da equipe, compartilha em áudio o significado de representar o protagonismo feminino e juvenil na ciência, especialmente em um trabalho publicado em um periódico científico de prestígio internacional. Seu depoimento reforça a importância da inclusão, da diversidade e da persistência na trajetória científica.

Agora, a pesquisa avança para novos desafios, como a ampliação dos testes, a consolidação de parcerias e os passos necessários para transformar esse conhecimento em um produto acessível à população.
É sobre esse avanço amazônico, que conecta ciência, saúde, sustentabilidade e representatividade, a entrevista que você ouve agora com a pesquisadora Kariane Nunes, coordenadora do LP&DFC da Ufopa, clicando no player.