Os jovens têm ambição e querem progredir, mas de uma forma diferente. Para eles, o trabalho precisa fazer sentido, e seus valores precisam estar alinhados aos da empresa. Esse foi um dos principais pontos da entrevista com o especialista em desenvolvimento humano Reinaldo Rachid, que trouxe uma reflexão importante sobre as transformações no mercado e o comportamento das novas gerações.
Segundo ele, a ideia de que os jovens são desinteressados ou pouco ambiciosos não se sustenta. O que existe é uma preocupação crescente com a saúde mental, com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e, principalmente, com o sentido do trabalho. Modelos tradicionais, marcados por longas jornadas, pouca autonomia e baixa escuta, têm gerado frustração e até adoecimento.
Esse cenário aparece também em debates recentes no Brasil, como o possível fim da escala 6x1. A discussão tem ganhado força justamente por evidenciar o cansaço extremo de trabalhadores e a necessidade de repensar a organização do tempo e da produtividade.

Para Reinaldo Rachid, o caminho passa por uma mudança de cultura dentro das empresas. Ambientes mais colaborativos, com liderança mais aberta ao diálogo, valorização das pessoas e flexibilidade, tendem não só a atrair, mas também a reter talentos. Ele destaca que produtividade e bem-estar não são opostos pelo contrário, caminham juntos. Empresas que investem em relações mais humanas e em propósito conseguem engajar mais suas equipes e gerar resultados sustentáveis no longo prazo.
A transformação, no entanto, não depende apenas das organizações. A sociedade como um todo também precisa rever crenças antigas sobre trabalho, sucesso e desempenho. No fim das contas, o que os jovens estão pedindo não é trabalhar menos é trabalhar melhor, com mais equilíbrio, respeito e sentido.
Reinaldo Rachid, autor do livro "Gerar valor com pessoas - Como engajar pessoas, redesenhar a cultura e gerar resultados sustentáveis em contextos complexos".
O Nacional Jovem foi apresentado por Ediléia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.
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