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Afroteca: exemplo de educação antirracista conquista prêmio nacional

Reconhecida por promover leitura, representatividade e autoestima em comunidades amazônicas, a iniciativa paraense conquistou o principal prêmio de tecnologia social do país e já transforma a vida de crianças, jovens e educadores

Nacional Jovem

No AR em 28/05/2026 - 14:00

Uma iniciativa nascida no coração da Amazônia acaba de conquistar reconhecimento nacional. A Afroteca, projeto desenvolvido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), foi a grande vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, destacando-se entre experiências de todo o país que utilizam soluções inovadoras para promover transformação social.

Antes do anúncio do resultado, o coordenador da iniciativa, Luiz Fernando França, esteve nos estúdios da Rádio Nacional da Amazônia, em Brasília, para participar de uma entrevista durante a Semana Nacional de Tecnologia Social. Na conversa, ele apresentou a trajetória do projeto e compartilhou histórias que demonstram como a leitura e a representatividade podem transformar vidas. Quem também participou da entrevista foi Larissa de Sousa, estudante de Letras da Ufopa e integrante da implementação da Afroteca Abayomi. Mulher quilombola, ela compartilhou sua trajetória e falou sobre a importância da iniciativa para o fortalecimento da identidade e da valorização das raízes afro-brasileiras.

Criada para promover a valorização das culturas afro-brasileira, amazônica e indígena, a Afroteca reúne livros, brinquedos, atividades pedagógicas e ações culturais voltadas à construção de uma educação antirracista. Atualmente, o projeto conta com nove unidades espalhadas pelo Pará e atende estudantes, professores e comunidades em diferentes municípios.

Durante a entrevista, Luiz Fernando destacou que a iniciativa vai muito além do incentivo à leitura. Segundo ele, a Afroteca também contribui para ampliar a compreensão sobre a diversidade da formação da Amazônia. O professor ressaltou que, embora a região seja frequentemente associada apenas à presença indígena — fundamental para sua história e identidade —, a Amazônia também é profundamente marcada pela presença negra e pela trajetória de inúmeros quilombos que ajudaram a construir o território. Nesse contexto, a Afroteca busca fortalecer referências positivas e promover o reconhecimento das origens e da identidade de crianças, jovens e adultos.

Afroteca ganha prêmio

O reconhecimento nacional celebra não apenas a inovação da iniciativa, mas também o trabalho coletivo de uma equipe formada por pesquisadores, educadores, lideranças negras e quilombolas comprometidos com a promoção da igualdade racial e do acesso à educação.

Ao conquistar o prêmio, a Afroteca reforça a importância de políticas e projetos que utilizam a cultura, a leitura e a educação como ferramentas para combater o racismo e ampliar oportunidades. Mais do que um espaço de livros, a iniciativa se tornou um lugar de pertencimento, representatividade e transformação social, mostrando que histórias têm o poder de mudar realidades.

O Nacional Jovem foi apresentado por Edileia Martins, com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.

Criado em 02/06/2026 - 16:48

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