Durante duas semanas, as discussões de todo o planeta sobre o clima concentraram-se em Belém, aqui no Brasil. A COP começa com a cerimônia de abertura, que aprova a agenda oficial da conferência.
Na primeira semana, as negociações ficam a cargo dos funcionários dos governos, que mergulham nos detalhes mais específicos da política climática. Na segunda semana, é a vez das autoridades: é quando acontecem as reuniões entre ministros e chefes de estado. Aquilo em que não foi possível avançar na primeira semana é levado para esse espaço de decisão – o momento da articulação política. Nos últimos dias de COP é que os resultados começam a ser anunciados.
E como esses acordos são costurados? Durante as negociações, os delegados fazem uma versão preliminar do que estão discutindo – uma espécie de rascunho do texto. A partir daí, eles trabalham os termos da proposta, e cada palavra é discutida entre todas as partes. No fim, deve haver consenso sobre o que está sobre a mesa. Por isso, às vezes, o resultado final da COP é negociado até os minutos finais.
Os negociadores também participam das reuniões de coordenação dos seus grupos regionais, blocos de negociação, ou ainda com os países que têm interesses semelhantes – os Anexos, lembra? Aquela divisão de países de acordo com suas responsabilidades nas emissões de gases do efeito estufa e seus níveis de desenvolvimento. Nessas reuniões, eles vão fechar questão sobre suas posições na hora de encaminhar um texto final. Enquanto essa maratona de reuniões e plenárias acontece na Zona Azul – a área das negociações da COP –, na Zona Verde também há pressão por resultados que atendam aos desejos de quem está por lá.
Nem todo acordo feito na COP tem o mesmo peso. O lado bom é que os negociadores conseguem adaptar o texto para atender países bem diferentes. Mas isso também tem um lado complicado — às vezes, o resultado é um compromisso mais fraco ou um atraso para chegar a um consenso. E é por isso que cada decisão tomada em uma COP importa. No papel, são acordos e números. Mas, na prática, o que se decide nas COPs é o destino de comunidades inteiras — e o equilíbrio do planeta que a gente divide.
O programete Nacional na COP30, veiculado ao longo da programação da Rádio Nacional, tem pesquisa, produção e apresentação de Nathália Mendes. Messias Melo fez a montagem e a sonoplastia.
Esse episódio traz áudio do Instagram da COP30 no Brasil e informações do curso O que é a COP, da ENAP em parceria com Apolitical.