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Natureza Viva festeja a criação do Instituto Nacional do Cerrado

Bióloga Mercedes Bustamante comenta importância da iniciativa

Natureza Viva

No AR em 13/01/2026 - 15:59

A bióloga e professora de Ecologia da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante, em entrevista ao Natureza Viva, nesse domingo (11) apresentou o recém-criado Instituto Nacional do Cerrado, lançado em 16 de dezembro de 2025 por iniciativa de um consórcio de universidades brasileiras. Primeira diretora executiva da entidade, ela explicou que o instituto nasce da necessidade de articular a produção científica em torno dos desafios cada vez mais urgentes enfrentados pelo segundo maior bioma do país.

Segundo Mercedes, o avanço do desmatamento, os processos de degradação ambiental e os impactos das mudanças climáticas tornaram indispensável a criação de uma estrutura nacional capaz de integrar pesquisas, propor soluções e dialogar com o poder público. O objetivo do instituto é transformar o conhecimento acumulado pelas universidades em ações concretas para a proteção, o uso sustentável e a valorização do Cerrado.

Entre as prioridades está a construção de um atlas da bioeconomia do Cerrado, que reúna informações sobre a biodiversidade, os territórios e o potencial econômico dos recursos naturais do bioma. A ideia é apoiar modelos de desenvolvimento que aliem conservação ambiental, geração de renda e inovação, aproveitando as sinergias entre instituições que já atuam em diferentes regiões do Cerrado.

Mercedes alertou que, embora os índices de desmatamento tenham apresentado queda recente, o cenário continua crítico. O Cerrado já perdeu cerca de 50% de sua cobertura vegetal original e, entre agosto de 2024 e julho de 2025, mais de 7.200 km² de vegetação nativa foram derrubados, o equivalente a cinco vezes a área da cidade de São Paulo. Para ela, existe uma janela de tempo limitada para evitar que a degradação alcance um ponto de não retorno.

Sobre o financiamento, a pesquisadora reconheceu as dificuldades impostas pelo orçamento restrito da ciência em 2026, mas afirmou que o instituto buscará combinar recursos públicos, parcerias com o setor privado e apoio internacional, fortalecendo sua capacidade de captação e garantindo maior estabilidade às pesquisas.

A entrevista também abordou a relação entre o Cerrado e o agronegócio. Mercedes defendeu que a produção agrícola pode se tornar mais eficiente e sustentável quando integrada à conservação do bioma. Áreas preservadas contribuem para a manutenção da água, o controle natural de pragas e a redução do uso de agrotóxicos, criando um modelo produtivo mais equilibrado e resiliente.

Para a diretora do Instituto Nacional do Cerrado, ciência, conservação e desenvolvimento precisam caminhar juntos para garantir o futuro do bioma e do próprio Brasil.
 

Criado em 13/01/2026 - 15:59

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