O Ópera Completa deste domingo (7) traz a estreia mundial da ópera em dois atos “I-Juca Pirama", com música de Gilberto Gil e Aldo Brizzi e libreto de Paulo Coelho. A montagem abriu as récitas do 34° Festival de Ópera do Theatro da Paz, em Belém, que ocorreu entre os dias 10 e 12 de novembro, em sintonia com a programação da COP30.
Inspirada no poema homônimo de Gonçalves Dias, a ópera “I-Juca Pirama – Aquele que deve morrer” aborda identidade, espiritualidade e as feridas da Amazônia. A obra apresenta o jovem guerreiro I-Juca Pirama, último de sua tribo, em duas temporalidades: a narrativa original e um presente marcado por queimadas e devastação. Entre música, dança, projeções e rituais de matriz indígena, a ópera propõe uma reflexão sobre identidade, espiritualidade e ecologia. O protagonista enfrenta a captura pelos Timbiras, revive a devastação atual e dialoga com o Espírito da Terra, guardião da floresta.
A montagem reúne solistas e artistas do Núcleo de Ópera da Bahia, o Coro Carlos Gomes de Belém, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, além de integrantes do povo Huni Kui, do Acre. A direção musical e cênica é de Aldo Brizzi, que divide a composição com Gilberto Gil. O libreto é de Paulo Coelho, que também aparece em vídeo no prólogo, ao lado de Gil, em cenas gravadas na floresta amazônica. Na projeção, Gilberto Gil aparece como Croá, o trovador dos povos originários, e Paulo Coelho assume a figura de Gonçalves Dias, se transformando em Espírito da Terra.
Os figurinos eco-sustentáveis, criados pelo xamã e artista plástico Tukano Bu’ú Kennedy e por Irma Ferreira, foram confeccionados por artesãos indígenas, que seguiram princípios ecológicos e utilizam fibras naturais e técnicas tradicionais da região amazônica, reforçando o vínculo da obra com a ancestralidade e com a cultura da região. Composta em dois atos, “I-Juca Pirama” é cantada em português e apresenta uma fusão de influências indígenas, afro-brasileiras, populares e sinfônicas, criando uma sonoridade que reforça o caráter ancestral e contemporâneo da obra.
No elenco, Jean William interpreta I-Juca Pirama; Graça Reis é o Espírito da Terra; Irma Ferreira vive o Cacique; Milla Franco assume o papel de Jaci; e Josehr Santos, o de Ogib. A renda da estreia foi revertida ao povo indígena da Vila Dom Bosco, no Alto Rio Tiquié, em ações de educação intercultural.
O Ópera Completa vai ao ar neste domingo, às 17h, na Rádio MEC.