O Tarde Nacional — Amazônia desta segunda-feira (9) fala sobre a psicopatia, também classificada como Transtorno de Personalidade Antissocial, que afeta cerca de 1% da população geral. A entrevistada é a diretora secretária adjunta da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Miriam Gorender.
Ela explica que não se trata de uma doença, mas uma disfunção na forma de a pessoa funcionar e existir no mundo. Segundo a professora, não se sabe ao certo sua causa, apesar de haver algumas evidências que podem apontar para alteração de volume e funcionamento de algumas áreas do circuito do cérebro, mas que não são robustas o suficiente para serem tomadas como uma causa concreta.
Sobre os sinais do transtorno, Gorender conta que os psicopatas não vêem os indivíduos como sujeitos, e sim como objetos a serem usados. "São pessoas que, de forma geral, não têm a capacidade de sentir culpa, nem remorso, nem de aprender com a experiência. E são pessoas que tendem a ter uma impulsividade maior também", explica ela.
A professora ressalta que há muitos mitos em torno do assunto, criados inclusive por filmes, séries e livros. Um desses mitos, segundo ela, faz crer que os psicopatas possuam uma inteligência acima da normalidade, o que não condiz com os dados reais. Ela também comenta sobre a relação entre psicopatia e crimes ou comportamentos agressivos, que pode existir, mas não é regra, segundo a especialista.
Miriam Gorender fala, ainda, sobre a dificuldade de se identificar o transtorno ainda na infância, porque ele pode ser confundido com outros transtornos, e conta que não há, necessariamente, uma ligação entre a psicopatia e maus tratos a animais. Segundo ela, a matança ou tortura de animais estão geralmente mais ligadas a um comportamento do que a um transtorno, de acordo com ampla documentação pela criminologia.
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O programa Tarde Nacional vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 15h às 17h, na Rádio Nacional da Amazônia.