No Dia Mundial da Doença de Chagas (14), o Tarde Nacional – Amazônia conversa com a médica cardiologista, pesquisadora do INI-Fiocruz e investigadora principal do projeto CUIDA Chagas, Andrea Silvestre.
Ela explica que a doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi após contato direto com o vetor, o inseto conhecido popularmente como Barbeiro. Essa contaminação pode se dar tanto pela picada do Barbeiro quanto por meio de alimentos infectados com suas fezes.
Andrea Silvestre chama a atenção, ainda, para a transmissão vertical, quando a mãe passa a doença para o bebê durante a gestação ou no momento do parto. Por isso, ela destaca uma forma importante de prevenção: identificar meninas e mulheres em idade fértil que possam ter sido contaminadas pelo protozoário para que elas sejam tratadas antes de uma gravidez.
Segundo a pesquisadora, a doença tem duas fases: a primeira, logo após o contato com o parasita, (causando febre prolongada, que dura por mais de sete dias, dor de cabeça, dor no corpo, vermelhidão e mal estar geral) e a segunda, quando não ocorre o tratamento e a condição se torna crônica. Nesse caso, o protozoário pode hibernar por anos dentro do corpo e só depois se manifestar, levando ao enfraquecimento ou aumento do coração, a insuficiências cardíacas, arritmias e miocardites. Nessa forma mais grave, a Doença de Chagas também pode acometer o esôfago e o intestino.
A especialista conta que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento para a doença de Chagas gratuitamente. A medicação é administrada por dois meses, e quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura. Andrea Silvestre acrescenta que, apesar de descoberta há 117 anos pelo pesquisador brasileiro Carlos Chagas, a doença segue sem vacina, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença negligenciada.
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O programa Tarde Nacional vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 15h às 17h, na Rádio Nacional da Amazônia.