Força que transforma invisibilidade em presença e resistência em beleza, Isabelle Mesquita construiu a própria história entre o subúrbio de Pavuna, no Rio de Janeiro, e as ruas parisienses. Mulher negra, artista e escritora, desde cedo enfrentou os desafios impostos pela desigualdade e pelo racismo. Mas ao decidir empreender no ramo da moda, na França, levou consigo não só sonhos, como também uma bagagem de vivências que moldaram sua visão de mundo. Em "Uma Preta em Paris", ela narra essa travessia com honestidade, cujo passado e presente conectam-se de forma emocional e ideológica.
Por meio de uma linguagem autobiográfica e potente, a autora costura memórias da infância com reflexões sociais e políticas. Filha de uma empregada doméstica e de um auxiliar de serviços gerais, ela relembra que, ainda criança, enfrentou a pressão para alisar o cabelo, uma das situações que despertou um olhar crítico sobre debates de raça, classe e gênero. Nesse contexto, a moda apareceu não apenas como linguagem estética, mas também como um caminho de reconexão com a identidade negra e a cultura periférica.
E a nossa entrevistada foi a Isabelle Mesquita, mestre em Gestão de Moda e Luxo pela ESGCI/Paris, com MBA pela Paris School of Business.