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Célio Turino critica censura e defende urgência cultural na Flipei

Escritor e um dos criadores dos Pontos de Cultura, Célio Turino participou da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), em São Paulo

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 08/08/2025 - 16:00

O escritor e gestor cultural Célio Turino participou da abertura da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), na quarta-feira (6), em São Paulo, e fez duras críticas à censura que resultou no cancelamento do evento em espaço público. Segundo ele, o impedimento da realização da festa, que ocorre há cinco anos, foi “descaradamente um ato de censura” e um exemplo de restrição à circulação de ideias.

Na última sexta-feira (1º), a Prefeitura de São Paulo e a Fundação Theatro Municipal cancelaram o contrato que autorizava a Flipei a usar a Praça das Artes, na região central da cidade. Mesmo assim, os organizadores mantiveram a programação. Os novos locais ficam no Galpão Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474 - Campos Elíseos), Casa Luís Gama (Rua Guaianases, 1435 - Campos Elíseos), no Café Colombiano (Alameda Eduardo Prado, 493 - Campos Elíseos) e no bar Sol y Sombra (Rua Santa Madalena, 250 - Bela Vista).

“Não pode haver censura para a pedofilia ou para o incentivo à automutilação de crianças. Mas proibir a circulação do pensamento, isso eles fazem com o maior despudor”, afirmou. Para Turino, o momento exige romper com a “paciência histórica” e adotar um “senso de urgência” para promover transformações sociais profundas. “O tempo de espera acabou. Se não fizermos nada, ofereceremos o pior dos mundos para nossos filhos e netos”, declarou.

Na abertura da Flipei, Turino tratou da “emergência cultural” e da importância da cultura como expressão da humanidade capaz de impulsionar mudanças estruturais na sociedade. Ele lembrou sua atuação à frente da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, nos dois primeiros governos Lula, quando idealizou e implantou os Pontos de Cultura.

O programa, explicou, inverteu a lógica tradicional das políticas públicas ao focar na potência das comunidades, e não apenas em suas carências. Entre 2004 e 2010, foram criados 3.500 pontos de cultura em 1.100 municípios, beneficiando entre oito e nove milhões de pessoas, segundo Turino. A iniciativa abrangeu desde redes de cineastas indígenas e produções de jovens de favelas até projetos de economia popular, teatro de vanguarda e artes visuais.

O modelo se espalhou por 18 países e chegou a inspirar o Papa Francisco, que conheceu a proposta quando ainda era arcebispo de Buenos Aires. Já como Papa, convidou Turino para apresentar o conceito no Vaticano e sugeriu a produção de um livro sobre experiências de pontos de cultura na América Latina. A obra, lançada no Brasil pelo Sesc com o título "Por Todos os Caminhos – Pontos de Cultura na América Latina", foi apresentada em Castel Gandolfo e documenta iniciativas no México, Guatemala, El Salvador, Argentina e Colômbia.

Entre os exemplos citados no livro está Medellín, na Colômbia, que em duas décadas reduziu sua taxa de homicídios de 382 para 19 por 100 mil habitantes — uma queda de 95% —, impulsionada por políticas culturais e comunitárias. “É uma cidade irmã, que deveria ser um grande exemplo para nós”, disse Turino.

Ao final, o escritor convidou o público a prestigiar a programação da Flipei no Galpão Cultural Eza Soares, em São Paulo. “Que todos venham acompanhar, porque este é um espaço de resistência e de afirmação cultural”, concluiu.

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Clique no player acima para ouvir a entrevista com Célio Turino

Criado em 08/08/2025 - 13:26

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