No Radar Sonoro desta semana, Sarah Quines presta homenagem a um grande escritor que partiu no dia 30 de agosto e que completaria 89 anos hoje, neste 26 de setembro de 2025: Luis Fernando Verissimo.
Gaúcho de Porto Alegre e torcedor do Internacional, escreveu livros como “As mentiras que os homens contam” e “Comédias da vida privada” – que o consolidaram como um grande cronista, sagaz ao capturar o mundano na vida dos brasileiros com um olhar carregado de humor ácido e crítico.
Verissimo criou personagens icônicos como a Velhinha de Taubaté, o Analista de Bagé e Ed Mort. Ele era filho de outro grande autor, Érico Verissimo, e morou boa parte da infância e adolescência nos Estados Unidos. E é por lá que começa a relação dele com a música.
E, embora ele tenha se tornado um grande escritor, a paixão pela música, mais especificamente pelo jazz, chegou antes de pensar em ser escritor. Na época em que morava em Washington e tinha lá seus 16 anos, Veríssimo começou a estudar saxofone.
A princípio, o sonho era aprender trompete, inspirado pelo grande Louis Armstrong, mas não havia curso para esse instrumento. Então, Verissimo optou pelo sax.
Mesmo depois de se tornar um escritor reconhecido, Luis Fernando Verissimo sempre teve a música como uma constante na vida. Se dizia um amador entre profissionais da música, de forma bastante humilde, e afirmava que nunca se aprofundou na música, mas aprendeu o suficiente para brincar de jazzista. Ainda que esse seja um lado menos conhecido dele, Veríssimo também deixou seu legado:
Participou do Conjunto Nacional, ao lado dos irmãos chargistas Paulo e Chico Caruso, com quem gravou dois álbuns: “Pro seu governo” e “La nave vá”, com um repertório de canções de sátira política.
Também fez parte do Jazz 6, descrito por Verissimo como o menor sexteto de jazz do mundo – afinal, tinha apenas 5 integrantes. Além de Verissimo no saxofone, a escalação do grupo tinha Jorge Gerhardt no baixo, Luiz Fernando Rocha no trompete e flugelhorn, Adão Pinheiro no piano e Gilberto Lima na bateria.
O Jazz 6 surgiu de uma apresentação informal em um café de Porto Alegre e reuniu músicos que compartilhavam a paixão pelo jazz e pela bossa nova. Entre o final dos anos 90 e o começo dos anos 2010, o grupo gravou 5 discos, com standards do jazz e algumas músicas próprias.
E, sendo um escritor-jazzista, jazzista-escritor, Verissimo também juntou as duas paixões no livro publicado em 2012, intitulado “Jazz”, que traz uma coletânea de textos do autor sobre o gênero musical.
Um dos textos é uma história deliciosa de quando Verissimo, ainda adolescente, viu duas lendas do jazz ao vivo: o trompetista Dizzy Gillespie ao lado do saxofonista Charlie Parker, no Birdland, icônico clube de jazz em Nova York.
A genialidade de Verissimo está presente também na letra da música “Parceria em marcha lenta”, do grupo MPB4, lançada no álbum “Ao vivo – do show Amigo é pra essas coisas”, de 1989. E os poemas do autor se transformaram em música nas mãos do pianista gaúcho Arthur de Faria e dos irmãos Kleiton e Kledir, que lançaram a composição “Olho mágico” no álbum “Com todas as letras”, em 2015.
De personalidade introspectiva, Verissimo era conhecido por proferir poucas palavras, ao mesmo tempo em que é autor de frases memoráveis, como: “A morte é uma sacanagem, sou totalmente contra.”
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