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Curumin e sua música para adiar o fim do mundo

Álbum “Pedra de Selva” combina sons experimentais, grooves refinados e reflexões sobre ancestralidade, afeto e resistência

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 12/11/2025 - 17:11

O cantor, compositor e multi-instrumentista Curumin foi o convidado do programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional de São Paulo, em uma entrevista que percorreu sua trajetória artística, reflexões sobre o cenário da música brasileira e o processo de criação de seu mais recente álbum, “Pedra de Selva”, lançado em 2024.

Reconhecido por sua originalidade e pela fusão de ritmos que vão do samba ao soul, do hip hop ao jazz, Luciano Nakata Albuquerque, nome de batismo do artista, constrói há mais de duas décadas uma carreira pautada pela inventividade. Indicado ao Grammy Latino e ao Prêmio APCA de Melhor Álbum pelo disco Boca (2017), Curumin tem parcerias com nomes como Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata, Otto, Paula Lima e Benegão, além de acompanhar Antunes como baterista em turnês.

Durante a entrevista, o músico comentou sua recente apresentação no festival Rock the Mountain, em Itaipava (RJ), e refletiu sobre o formato dos grandes festivais no país. “Os festivais oferecem experiências incríveis, mas acabam reforçando desigualdades do mercado. A maioria repete os mesmos nomes, o que limita a diversidade e as possibilidades de artistas de diferentes cenas e regiões”, observou.

Ao falar sobre o álbum Pedra de Selva, Curumin explicou que o título inverte propositalmente a expressão “Selva de Pedra”, uma imagem tradicional de São Paulo, para sugerir o resgate da natureza em meio ao concreto urbano. “Eu sou paulistano, e essa ideia vem desse confronto com o concreto. A gente segue sendo bicho, animal. Apesar de viver na megalópole, precisamos refazer conexões com a nossa natureza interior”, disse.

Gravado durante o isolamento da pandemia, o disco combina grooves refinados, experimentações sonoras e reflexões sobre ancestralidade, afeto e resistência. Entre as participações estão Ava Rocha, Iara Rennó e François Muleka, artistas que, segundo Curumin, foram “chamadas” pelas próprias músicas: “Parece que a música fala, eu preciso dessa pessoa aqui”, contou, destacando o caráter intuitivo e coletivo do processo criativo. Citando referências como Ailton Krenak, Nêgo Bispo e Salloma Salomão, Curumin diz que o pensamento desses autores influenciou sua visão sobre o papel da arte em tempos de crise ambiental e política.

A entrevista também abordou a forte presença da família do artista em sua obra. Curumin é casado com Anelis Assumpção, com quem compartilha não só a vida, mas também colaborações musicais. “Tem muita louça e muita faxina, mas também muita troca. Nossos filhos, Bento e Rubi, estão começando seus caminhos musicais, e a gente tenta não interferir muito. Cada um vai construir sua história do seu jeito”, disse com humor.

Influenciado por tradições afro-brasileiras e pela música de matriz africana, Curumin contou que tem se aproximado cada vez mais de manifestações populares e não comerciais, como sambas de roda, coco e música de capoeira. “Essas músicas são feitas porque são sobre existência, sobre continuar uma história muito longa. Elas têm um motivo da alma, não do mercado”, afirmou.

Entre as referências que moldaram sua trajetória, o artista mencionou Stevie Wonder, James Brown, Sly and the Family Stone, Jorge Ben Jor e Tim Maia, além de mestres da cultura popular brasileira. “Cada paixão vai alimentando a gente a seguir e fazer mais coisa”, resumiu.

Clique no player acima para ouvir a entrevista na íntegra.

Criado em 12/11/2025 - 17:16

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