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Jards Macalé e a arte de não morrer

Sarah Quines prestou uma homenagem ao artista carioca que deixa um legado imortal para a música brasileira

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 18/11/2025 - 15:30

O Tarde Nacional SP desta terça-feira (18) prestou uma homenagem a Jards Macalé, que faleceu nesta segunda-feira (17) aos 82 anos. Sarah Quines abriu a homenagem destacando o impacto da perda do artista e a tristeza compartilhada por fãs e admiradores. Para ela, e para muitos, sem Macalé a música brasileira “fica mais careta”.

O artista, conhecido carinhosamente como o professor, morreu aos 82 anos após sofrer uma parada cardíaca decorrente de uma cirurgia no Rio de Janeiro. Segundo comunicado divulgado nas redes sociais, ele chegou a despertar do procedimento cantando Meu Nome é Gal, demonstrando o humor e a vitalidade que o acompanharam por toda a vida.

Carioca da Tijuca, Macalé iniciou sua carreira nos anos 1960 como violonista e arranjador de Elizeth Cardoso, Maria Bethânia e Gal Costa. Em 1968, consolidou a parceria com José Carlos Capinan e participou do IV Festival Internacional da Canção com Gotham City, recebida com vaias ruidosas. A partir dali, passou a ser reconhecido como um dos “malditos” da MPB, ao lado de nomes como Itamar Assumpção, Jorge Mautner e Walter Franco, por rejeitar concessões comerciais e se recusar a seguir fórmulas pré-estabelecidas.

Em uma entrevista concedida a Sarah Quines em 2023, durante as celebrações de seus 80 anos e do lançamento do álbum Coração Bifurcado, Macalé refletiu sobre esse rótulo de “maldito”. Para ele, inicialmente a palavra representava liberdade e experimentação, mas com o tempo perdeu sentido para as novas gerações. Ele costumava dizer, com ironia: “maldito é o cacete”. Essa postura irreverente se refletia em toda sua obra: compositor, arranjador, cantor e violonista, sempre aberto ao novo e sem medo de experimentar.

Sua produção nos anos 1970 inclui o compacto duplo Só Morto, Burning Night, que traz a marcante Soluços, e a direção musical de Transa, de Caetano Veloso. Em 1972, gravou seu primeiro LP solo, com composições ao lado de Capinan, Wally Salomão e Torquato Neto, incluindo clássicos como Farinha do Desprezo, Mal Secreto e Vapor Barato. A faixa Vapor Barato / Revendo Amigos enfrentou a censura da ditadura militar e foi analisada 12 vezes antes de ser liberada.

Em 1973, Macalé voltou a confrontar o regime com o espetáculo Banquete dos Mendigos, gravado no MAM do Rio em celebração aos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, com participação de artistas como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Milton Nascimento. O álbum só foi liberado seis anos depois.

Após duas décadas sem lançar inéditas, Macalé retornou em 2019 com Besta Fera, ao lado de músicos de novas gerações, como Kiko Dinucci, Jussara Marçal, Rodrigo Campos e Tim Bernardes. Em 2023, lançou Coração Bifurcado, com 12 faixas inéditas, entre elas A Arte de Não Morrer, onde defendia que a arte verdadeira é a que não se acomoda e não busca o óbvio. Também afirmou que o segredo da “arte de não morrer” era simples: “não ser um medalhão articulado”.

Em 2021, Macalé lançou Síntese do Lance, em parceria com João Donato, um disco vibrante, com capa irreverente e dez canções inéditas.

Ao finalizar a homenagem, Sarah escolheu a ensolarada Cocotaxi, parceria de Macalé com Donato sobre o triciclo comum em Cuba, uma música que traduz parte da leveza e da liberdade que marcaram a trajetória do artista.

Clique no player para ouvir a homenagem.

Criado em 18/11/2025 - 15:35

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