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Lô Borges: da esquina do mundo, de Minas Gerais

Radar Sonoro, com Sarah Quines, faz homenagem ao artista mineiro que faleceu aos 73 anos e deixa um legado musical que atravessa fronteiras

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 07/11/2025 - 15:44

No Radar Sonoro desta semana, Sarah Quines faz uma homenagem a Lô Borges, que morreu aos 73 anos no dia 2 de novembro. Salomão Borges Filho nasceu no dia 10 de janeiro de 1952 em Belo Horizonte e teve bandas com os irmãos ainda na adolescência. Ele era um dos onze irmãos de uma família musical. Ao lado do irmão Márcio Borges, letrista e compositor, Lô criou grandes canções da música brasileira.

Os irmãos Borges viviam numa casa de esquina no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. E ele contou, em um vídeo publicado recentemente nas redes sociais, que foi Milton Nascimento quem deu a Lô Borges o primeiro violão, quando ele tinha uns 13 ou 14 anos.

A diferença de idade entre os dois é de dez anos e, quando Milton Nascimento lançou o álbum "Milton" em 1970, gravou composições de Lô Borges. Inclusive, Bituca abriu o disco com "Para Lennon e McCartney", escrita por Lô Borges, Fernando Brant e Márcio Borges. Milton também gravou a faixa "Clube da Esquina", parceria com os irmãos Lô e Márcio Borges.

Lô contou, em uma entrevista, que, com o sucesso da gravação, Milton foi até ele, que achou que Bituca iria pedir mais uma composição para gravar, quando foi surpreendido com um convite para ir ao Rio de Janeiro gravar o disco "Clube da Esquina".

E lá foi Lô Borges, aos 19 anos, para o Rio de Janeiro, acompanhado de Beto Guedes, porque, segundo contou em entrevistas, precisava de mais um beatlemaníaco para trabalhar junto nas composições.

Lô Borges começou a tocar violão influenciado por João Gilberto e, depois, com os Beatles, se fez uma revolução na cabeça do jovem, que trouxe todas essas referências, da bossa nova ao rock, para o som que fazia.

Ao lado dos amigos e companheiros Milton Nascimento, Fernando Brant, Márcio Borges e Ronaldo Bastos, Lô Borges registrou um dos maiores álbuns da música brasileira: "Clube da Esquina", que saiu em vinil duplo com 21 músicas em março de 1972.

O ano de 1972 foi muito importante na carreira de Lô Borges, porque, além de lançar "Clube da Esquina", ele também estreou com o álbum solo conhecido como o disco do tênis.

Assim como "Clube da Esquina", o 'disco do tênis' também reuniu canções primorosas. Mas isso tudo foi feito num prazo muito curto: Lô Borges escrevia as melodias pela manhã, Márcio Borges acrescentava as letras pela tarde e, à noite, eles gravavam.

Na época, Lô ouvia Jimi Hendrix, o rock progressivo de Emerson, Lake & Palmer, e essas referências, somadas ao gosto pelos Beatles e também por João Gilberto, deram o tom do caldeirão sonoro do disco do tênis.

"Aos Barões", uma das músicas do álbum, chegou a ser citada pelo britânico Alex Turner, do Arctic Monkeys, como inspiração para um dos discos do grupo.

Só que, depois da gravação do primeiro álbum solo, Lô Borges não queria se enquadrar naquele papel estabelecido pela gravadora e resolveu cair fora, como se os tênis da capa representassem o pé na estrada. E foi o que ele fez: pegou um ônibus e embarcou numa longa viagem de Belo Horizonte a Porto Alegre.

Depois de um hiato, Lô voltou a dar as caras na música em 1978, no disco "Clube da Esquina 2" e, em 1979, veio o segundo trabalho solo, "A Via-Láctea".

Ainda que "Clube da Esquina" e o 'disco do tênis' sejam a primeira imagem que vem à mente quando se fala em Lô Borges, o músico mineiro teve uma carreira extensa. De 1980 para cá, foram vinte discos de estúdio, o último foi lançado em agosto deste ano: "Céu de Giz", com participação de Zeca Baleiro.

Lô Borges vinha se apresentando pelos palcos do Brasil e se apresentou pela última vez no dia 6 de julho, no Festival de Inverno de Itabira, em Minas Gerais. O tecladista e segunda voz da banda de Lô, Felipe D’Ângelo, contou pra gente como foi acompanhar o músico nos últimos quatro anos.

Ouça mais no player acima. 

Criado em 07/11/2025 - 15:50

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