O cantor, compositor e produtor musical gaúcho Felipe Puperi, conhecido pelo projeto Tagua Tagua, foi o convidado do Tarde Nacional na Rádio Nacional de São Paulo nesta terça-feira (11). Durante a entrevista, o artista falou sobre o novo álbum "Raio", lançado em maio, e refletiu sobre sua trajetória, referências e o processo criativo por trás de suas músicas.
Antes de seguir carreira solo, Puperi foi vocalista e guitarrista da banda Wannabe Jalva, que integrou por oito anos e chegou a abrir shows para grupos como o Pearl Jam. Como produtor, já trabalhou com nomes como Catto, Johnny Hooker e Mamundi, além de assinar trilhas sonoras para o cinema. Em 2016, decidiu criar o projeto Tagua Tagua, uma fusão de pop psicodélico, soul e elementos eletrônicos.
Com três álbuns lançados, Felipe Puperi descreve "Raio" como o trabalho mais luminoso e dançante de sua carreira. “Quis fazer algo diferente, explorar um terreno novo”, contou. O músico explica que a busca por sonoridades inexploradas é parte essencial do seu processo criativo: “Quando percebo que estou me repetindo, isso já me causa um incômodo. Eu começo a buscar outros caminhos”.
Influenciado por sons mais grooveados e pela atmosfera das pistas de dança, o álbum marca uma virada na estética do artista. “Eu estava ouvindo muita música disco e queria fazer algo mais pra frente, mais dançante. É um desafio compor assim, porque vem de outro lugar, mais ligado à textura sonora e à levada, e não apenas ao violão e à melodia”, explicou.
O nome Tagua Tagua surgiu durante uma viagem ao Chile, em um momento de transição na vida do artista. “Eu estava me afastando da minha antiga banda e fui viajar com minha mãe. A gente acabou conhecendo o lago Tagua Tagua, um lugar lindo, com uma história ligada aos povos originários. Saí de lá pensando: vou levar esse nome comigo”, relembra.
Mesmo com o caráter solo do projeto, Puperi reconhece o papel da colaboração. “O Tagua Tagua é um projeto que nasceu de forma natural, comigo me fechando no meu universo. Mas estou aberto a dividir a criação. Gosto da ideia das pessoas verem o projeto como uma banda também”, disse.
Nos palcos, essa ideia se concretiza: “Os shows são com uma banda que traz o som eletrônico para o orgânico, dá uma pressão ao vivo. É incrível ver esse tipo de som sendo tocado por músicos de verdade”, destacou.
Além de seus discos autorais, Puperi mantém uma sólida carreira como produtor. “Trabalhar com outros artistas me faz aprender muito, mergulhar em universos diferentes. Isso amplia o repertório e me inspira”, afirmou. Para ele, o papel do produtor é equilibrar o olhar artístico próprio com o respeito à identidade do outro: “É como andar numa corda bamba, tem que colocar sua assinatura sem apagar o artista. O importante é que ele brilhe e se sinta representado”.
Ter um projeto solo, segundo Puperi, ajuda a manter esse equilíbrio. “Meu disco é o espaço onde deposito minhas expectativas. Assim, quando produzo para outros, posso me dedicar totalmente a entender o que eles querem expressar”, explicou.
Na segunda parte da entrevista, o músico falou sobre suas influências. Embora hoje traga no som a leveza e o groove da MPB, sua formação começou no rock gaúcho. “Cresci ouvindo muito rock de Porto Alegre, depois mergulhei em Mutantes, The Doors, Led Zeppelin. E aí fui para a psicodelia”, contou.
Entre os nomes que mais o marcaram está Jorge Ben Jor, que ele considera uma síntese do Brasil musical. “Pra mim, o Jorge Ben é a essência do que é ser brasileiro. Ele uniu a sofisticação da bossa nova com a força popular do samba e criou algo único”, disse.
Confira a entrevista na íntegra no player acima.