Formada por músicos com trajetórias consolidadas no rock brasileiro, a banda paulistana Undo surge como um projeto autoral que dialoga com o passado sem recorrer à nostalgia. Em entrevista ao programa Tarde Nacional SP, da Rádio Nacional São Paulo, o vocalista André Frateschi e o guitarrista Rafael Mimi falaram sobre o nascimento do grupo, o lançamento do álbum de estreia homônimo e o show de apresentação do trabalho na capital paulista, que acontece neste sábado (20), às 21h, no Goela Bar (Rua Fidalga, 396, na Vila Madalena, São Paulo).
O disco, lançado em outubro, reúne dez faixas que transitam pelo pós-punk, rock alternativo e indie, com forte influência oitentista, mas com linguagem e inquietações contemporâneas. Além de Frateschi nos vocais e Mimi nas guitarras, a Undo conta com Johnny Monster na segunda guitarra, Rafael Garga na bateria e Dudinha Lima no baixo e na produção. O álbum traz participações especiais de Leoni e Dado Villa-Lobos e foi concebido como uma obra fechada, pensada do início ao fim, da faixa de abertura “Ninguém” ao encerramento simbólico “Prazer em Recomeçar”. Segundo os músicos, o trabalho reflete um momento de maturidade artística, marcado pela liberdade criativa e pela valorização do processo coletivo em um cenário musical cada vez mais individualizado.
Durante a conversa, André Frateschi destacou que a criação da banda nasceu de uma necessidade quase instintiva. Para ele, a Undo é resultado de uma “paixão incontrolável” pela música autoral, mesmo em um contexto considerado adverso para bandas de rock. Rafael Mimi reforçou que o entrosamento entre os integrantes aconteceu de forma natural, com cada músico trazendo sua bagagem e referências, sem imposições ou fórmulas pré-estabelecidas. A maturidade, segundo eles, trouxe leveza ao processo criativo, permitindo trocas mais abertas e menos competitivas.
Um dos destaques do álbum é a parceria com Leoni, que assina a faixa “Aprender a Perder”. Frateschi contou que a colaboração surgiu de forma generosa, a partir do convívio em um projeto social de apresentações musicais em hospitais, asilos e centros de atenção psicossocial, a banda “Os Pitais”. A experiência com Leoni foi descrita como decisiva para a consolidação da banda, funcionando como uma espécie de chancela artística e incentivo para seguir adiante. Além da música presente no disco, o grupo já possui outras parcerias com o compositor, incluindo versões e novas composições em desenvolvimento.
Os músicos também comentaram o conceito que atravessa o álbum. O nome Undo faz referência tanto à ideia de “desfazer” quanto a um mundo em colapso, simbolizado pela ausência da letra “M” na palavra “mundo”. As letras abordam temas como o excesso de tecnologia, o desgaste emocional e a necessidade de desaceleração, refletindo inquietações do tempo presente. Segundo Frateschi, o disco nasceu de forma intuitiva, quase como um encontro apaixonado entre os integrantes, enquanto o próximo trabalho já começa a ser pensado de maneira mais direcionada.
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