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Radar Sonoro mergulha na trilha de "O Agente Secreto"

Na estreia da terceira temporada, coluna de Sarah Quines conta que parte das músicas que tocam no premiado filme brasileiro foi garimpada pelo próprio diretor Kleber Mendonça Filho, em uma loja de discos no Recife

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 13/03/2026 - 16:10

No episódio que marca a estreia da terceira temporada da coluna Radar Sonoro, a jornalista Sarah Quines entra em clima de Oscar e mergulha na trilha sonora de “O Agente Secreto”, indicado a quatro categorias: Filme, Filme Internacional, Ator (Wagner Moura) e Direção de Elenco.

A música não é mero detalhe nem serve apenas como trilha de fundo. Uma prova disso é o pedido do próprio diretor Kleber Mendonça Filho às salas de cinema, na época da estreia do filme: o longa deveria ser exibido em alto e bom som. A trilha já foi lançada até em vinil.

Logo no começo de “O Agente Secreto”, ouvimos o “Samba no Arpège”, de Waldir Calmon, na mesma versão que tocava nas rádios na década de 1970, ajudando a recriar a atmosfera do período. 

Além da ótima trilha sonora original, composta pelos irmãos Mateus e Tomaz Alves de Souza para o filme, chamam a atenção as canções que vão de gemas escondidas da música brasileira a hits do pop internacional.  A curadoria foi feita pelo próprio Kleber Mendonça, que garimpou LPs em lojas do Recife.

“Durante a filmagem, tem umas músicas que aparecem como ideia porque alguém sugere ou porque uma cena foi de uma maneira que me fez lembrar de uma música. O período da montagem também muito importante para achar a música do filme”, afirmou Kleber Mendonça. “Foi um processo muito longo. Teve uma tarde que eu fui para loja Passa Disco, no Recife, e voltei com quatro discos muito raros. Uma ida num sábado a tarde pruma loja de discos forneceu quatro músicas muito desconhecidas pra mim e que tão no filme”, detalhou o diretor. 

Entre as músicas garimpadas pelo diretor, estão “A Briga do Cachorro com A Onça”, da Banda de Pífanos de Caruaru, e “Desabafo”, do conjunto Concerto Viola. Clássicos do cancioneiro popular, como “Eu Não Sou Cachorro Não”, de Waldick Soriano, e “Não Há Mais Tempo”, na voz de Ângela Maria, se somaram à trilha. E sons internacionais também foram incluídos na trilha de “O Agente Secreto”, como canções de Donna Summer e da banda Chicago. 

Tem, ainda, dois sons que tocam em “O Agente Secreto” que vêm de um dos discos emblemáticos da psicodelia pernambucana: “Harpa dos Ares” e “Trilha de Sumé”, gravadas no icônico “Paêbirú”, que juntou a viola de Zé Ramalho com o tricórdio de Lula Côrtes, um álbum envolto por uma aura mítica. O disco foi gravado em 1975, na Rozenblit, fábrica e gravadora do Recife, alagada  com a enchente do Rio Capibaribe que destruiu cerca de mil cópias desse álbum. Sobraram umas 300 e, em 1976, saiu uma outra versão remasterizada com alguns efeitos a mais num estúdio no Rio de Janeiro. Já contamos a história em detalhes num Radar Sonoro anterior.

Para ouvir a coluna Radar Sonoro, clique no play.

Criado em 13/03/2026 - 13:55 - Episódio Radar Sonoro

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