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Radar Sonoro: Janis Joplin é homenageada no Museu da Imagem e do Som

Sarah Quines comenta a mostra sobre a cantora ícone do rock

Tarde Nacional - São Paulo

No AR em 17/04/2026 - 16:16

Uma das figuras mais emblemáticas da contracultura hippie, a cantora Janis Joplin, que teria completado 83 anos no dia 19 de janeiro deste ano, é homenageada na exposição "Janis" em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo. 

A cantora e compositora estadunidense gravou quatro álbuns de estúdio entre 1966 e 1970: os dois primeiros ao lado da The Big Brother and The Holding Company e os dois últimos em carreira solo. "Pearl", o último trabalho de Janis Joplin, foi lançado em janeiro de 1971, três meses depois da morte da artista, que partiu aos 27 anos. Ela se consagrou como uma das grandes vozes do rock, além de ter uma presença eletrizante no palco. 

Na exposição em cartaz no MIS, o público pode ver de perto mais de trezentos itens, entre cartas, fotografias, figurinos, objetos que estavam guardados desde a morte da cantora e são exibidos pela primeira vez. 

Na escadaria, que leva ao andar da mostra, já dá para ter uma ideia das referências de Janis a partir de discos de artistas que a influenciaram, como a cantora Odetta, que tinha um vozeirão marcante em interpretações de blues e folk e que foi uma referência pro estilo vocal de Janis, assim como o cantor de soul Otis Redding, o músico de folk e blues Leadbelly e a imperatriz do blues, Bessie Smith, de quem Janis Joplin era muito fã. 

Chris Flannery foi consultor da exposição, e fez a ponte entre o museu e a família da cantora. ele conta que a mostra traz a essência do estilo boho-chic de Janis e vai além : “Eu acho que nos manuscritos, nos desenhos dela, você vai ver um lado dela que as pessoas não conheciam: ela era uma artista. Então tem um espaço com a arte dela aqui. Então agora você tem a chance de começar a entender quem foi essa mulher. E tem muitos detalhes, muitas coisas da história dela e foi feito um ótimo trabalho de capturar a essência de quem ela foi como musicista”.

Um dos espaços da mostra é dedicado à vinda de Janis ao Brasil em fevereiro de 1970, meses antes de morrer. Conhecer o carnaval brasileiro era um sonho antigo da cantora, que havia assistido ao filme Orfeu Negro, adaptação da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes quando tinha 17 anos. Em terras cariocas, ela deu uma entrevista coletiva no hotel Copacabana Palace, conheceu a cantora Alcione e Serguei, deu canjas em boates e foi fotografada nas praias do Rio de Janeiro. 

Numa carreira meteórica de apenas quatro anos, Janis Joplin foi uma figura que abriu portas pra mulheres que vieram depois dela no rock. Débora Alvarenga, cantora que se apresenta no domingo no auditório do MIS, num tributo à Janis junto da banda OÁZ, fala sobre o legado da cantora :" A figura da Janis inspira justamente por isso, ela mostra que não existe um único jeito de ser mulher na música ou na vida. Você tem várias formas de viver né, de viver o ser mulher. Ela não tentou se encaixar, foi ela que ditou as regras. Com intensidade, com fragilidade, e ao mesmo tempo muita força. E isso encoraja outras mulheres a confiarem na própria identidade, a ocuparem espaços sem pedir permissão. E acho que esse é o maior legado que ela deixou". 

Janis Joplin foi livre à sua própria maneira e, além da importância na música, também representou um símbolo de liberdade para as mulheres ao não se encaixar em papéis sociais  pré-estabelecidos. A exposição "Janis" fica em cartaz no MIS até o mês de julho, e os ingressos podem ser comprados no site do museu. Às terças-feiras, a entrada é gratuita.

Clique em play para ouvir a coluna Radar Sonoro.

Criado em 17/04/2026 - 16:23 - Episódio Radar Sonoro

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