Em 22 de março de 1922, a Organização das Nações Unidas (ONU), criou o Dia Mundial da Água. Desde então, a data serve para se colocar em pauta questões importantes sobre os recursos hídricos no mundo e lembrar sobre a necessidade da água como recurso básico para a manutenção do ecossistema e da vida.
Na literatura, a água já foi tema de livros, cenários de histórias, caminho para aventuras de personagens e estrela em diversas poesias. Nesta semana, em que se comemora também o Dia Internacional da Poesia, o Momento Literário une água e poesia numa leitura de versos de dois poetas. Primeiro, "No Alto Mar" de Sophia de Melo Breyner Andresen.
No alto mar
A luz escorre
Lisa sobre a água.
Planície infinita
Que ninguém habita.
O Sol brilha enorme
Sem que ninguém forme
Gestos na sua luz.
Livre e verde a água ondula
Graça que não modula
O sonho de ninguém.
São claros e vastos os espaços
Onde baloiça o vento
E ninguém nunca de delícia ou de tormento
Abre neles os seus braços.
E o segundo é o poema "A falta dágua no mundo" de João Batista Melo.
De novo bem realista
a ONU vem alertar
que na África e na China
a água pode faltar
e conforme este argumento
não tendo planejamento
muita gente vai dançar
Sonho um Brasil d’água limpa
e vida cheia de moral
vencendo a poluição
e qualquer um temporal
se no mundo água faltar
vamos daqui sustentar
a demanda mundial
E vamos exportar água
em garrafões ou barril
com a marca registrada
”the água made in Brazil”
pra ditadores malvados
nem tendo Euros trocados
não vendemos nem um til
Recuperar nossas águas
é nosso grande dever
e convido a juventude
para lutar e vencer
e se alguém quiser mais água
seja China ou Nicarágua
termos pra dar e vender
(...)
Pois nosso caso é dramático
Não dá pra se brincar
A FALTA D’ ÁGUA NO MUNDO
é coisa de arrepiar
se não houver uma ação
até em nossa nação
a água pode faltar