A edição do Música e Músicos do Brasil deste sábado (15) faz uma homenagem a dois grandes nomes da música de concerto do nosso país: Abel Ferreira e Waldemar Henrique, ambos nascidos em 15 de fevereiro.
Nascido há 110 anos, em 15 de fevereiro de 1915, em Minas Gerais, Abel Ferreira foi um dos maiores clarinetistas brasileiros que já existiu, e seu nome está fortemente vinculado ao choro. Com o ouvido absoluto, ele iniciou os estudos de forma autodidata ainda na infância. Por volta dos 12 anos de idade, já havia estreado na banda filarmônica de sua cidade e, mais tarde, passou a se destacar em diversas orquestras, chegando a receber o elogio de Carmem Miranda em uma de suas apresentações. Abel Ferreira faleceu em 1980, no Rio de Janeiro, deixando um legado expressivo para a música brasileira. Reconhecido como um dos criadores da escola brasileira de sopros ao lado de Pixinguinha e Luiz Americano, ele influenciou gerações de clarinetistas e saxofonistas. Seu estilo, caracterizado pelo fraseado fluido e displicente, e pela interação sofisticada entre melodia e acompanhamento, consolidou-se como uma referência para o choro e para a música instrumental brasileira.
O programa também destaca outro grande nome da música brasileira: Waldemar Henrique, que completaria 120 anos. O maestro, pianista e compositor nasceu em Belém do Pará, no dia 15 de fevereiro de 1905. Filho de um português e de uma descendente de indígenas, ele passou parte da infância na cidade do Porto, em Portugal. Apesar da resistência do pai, Abel Ferreira se interessou pela música desde muito cedo. E, ao retornar ao Brasil, em 1918, começou a estudar piano secretamente. Mais tarde, aprofundou-se nos estudos no Conservatório Carlos Gomes, onde teve como professores Filomena Brandão, Ettore Bosio e Beatriz Simões. Waldemar Henrique foi diretor do Theatro da Paz, em Belém, e participou da fundação da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores de Música. Sua produção inclui cerca de 200 obras, com destaque para suas canções, além de peças para piano solo, coro, orquestra e música para o teatro e o audiovisual. Muitas de suas canções se tornaram clássicos do repertório de canto lírico no Brasil, como "Uirapuru", "Foi Boto, Sinhá!" e "Tamba-Tajá". Seu estilo singular, marcado pela fusão entre elementos eruditos e populares, fez dele um dos principais compositores de sua geração. // Abel Ferreira faleceu em Belém, no dia 29 de março de 1995, e hoje, sua memória é preservada em sua cidade natal, onde uma praça e um teatro levam seu nome.
O Música e Músicos do Brasil vai ao ar neste sábado, às 19h, na Rádio MEC.