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“Tirando o véu”: estudo revela realidades sobre o casamento infantil

Conversamos sobre o trabalho com a gerente de empoderamento econômico e gênero da ONG Plan International Brasil

Tarde Nacional

No AR em 13/09/2021 - 18:27

A ONG Plan International Brasil lançou o estudo "Tirando o Véu - Estudo sobre casamento infantil no Brasil", um trabalho internacional de pesquisa sobre o casamento infantil, feito não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina. Em entrevista no Tarde Nacional desta segunda-feira (13), Raíla Alves, gerente de empoderamento econômico e gênero da ONG Plan International Brasil, falou sobre a parte brasileira do estudo. Para ela, os dados revelam que "há toda uma estrutura que colabora para que essas meninas entrem mais cedo nesse tipo de relação, e muitas vezes nem se veja como estando em casamento infantil", comenta Raíla durante a conversa com Gláucia Araujo e Fátima Santos.

O casamento infantil e a gravidez na adolescência reduzem oportunidades de vida para meninas. Novos números do IBGE apontam queda nos casamentos formais de meninas, entre 2011 e 2019, mas não consideram uniões informais, que são mais recorrentes e podem aumentar ainda mais com a pandemia de covid-19. A taxa de fecundidade adolescente continua acima da média mundial. O fenômeno é tão naturalizado e arraigado em nossa cultura que, no senso comum, há a impressão de que falar em casamento infantil é o mesmo que tratar de um assunto distante da realidade brasileira, de uma coisa presente somente em países da África e da Ásia.

Mas, entre os 20 países com maior número absoluto de casamentos de meninas, o Brasil ocupa o quarto lugar, atrás apenas de Índia, Bangladesh e Nigéria. Esses dados são de uma pesquisa realizada pelo Unicef, que estimou o número de mulheres com idades entre 20 e 24 anos que tiveram seu primeiro casamento ou união entre os 15 e 18 anos. De acordo com o "Tirando o Véu", em relação a América Latina e Caribe (ALC) o Brasil está entre os cinco países com índices mais altos, sendo: Nicarágua (41%), República Dominicana (37%), Brasil (36%), Honduras (34%) e México (23%). Isso significa que uma em cada quatro meninas da América Latina se casam antes dos 18 anos.

Quando uma menina com menos de 18 anos se casa ou se une informalmente a um parceiro (normalmente alguns anos mais velho que ela), as consequências mais frequentes para a sua vida são a gravidez precoce, o abandono escolar, a intensificação do trabalho doméstico, a violência doméstica e a entrada precária ou tardia no mercado de trabalho.

A ONG Plan International, que chegou ao Brasil em 1997, se dedica a proteger os direitos e promover o protagonismo de crianças, adolescentes e jovens, especialmente meninas, por meio de seus projetos, programas e ações de mobilização social. Tem também viabilizado condições de subsistência em comunidades que sequer tinham acesso a recursos essenciais, como a água.

Ouça a entrevista na íntegra clicando no player acima. 

Criado em 13/09/2021 - 19:40

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