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Carmen Miranda, no rádio, antes de ficar "americanizada"

Histórias e trechos de sucessos da cantora nos anos 1930, antes da

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 1909, em Canavezes, área rural de Portugal, e morreu em 5 de agosto de 1955. O quadro "O rádio faz história", do programa Todas as Vozes desta segunda-feira (5), com Rose Esquenazi, contou histórias e mostrou trechos de músicas que fizeram sucesso antes da mudança de Carmen para os Estados Unidos, em 1939.

 

O rádio e a cidade do Rio de Janeiro moldaram o astral e o jeito de ser da cantora. Podemos dizer que ela foi pioneira de sua geração ao crescer dentro do universo radiofônico brasileiro.

 

O primeiro endereço da família de Carmen no Brasil, chegada de Portugal e muito pobre, foi em São Cristóvão, mas não se tem o registro exato do local. O segundo foi na Rua Senhor dos Passos, 59, no SAARA, Centro do Rio. Depois, a família se mudou para a Rua da Candelária, 50, hoje número 94.

 

A família, muito musical, também ajudou na formação artística da cantora. Carmen trabalhou na juventude em casas de artigos femininos, aprendendo a confeccioná-los. Depois, foi para uma loja de artigos masculinos, próxima da Confeitaria Colombo.

 

Carmen era muito admirada pelos clientes e cantava enquanto trabalhava. Enquanto isso, ela e sua irmã mais velha, Olinda, já começavam a cantar amadoramente nos bistrôs dos arredores. Carmen amava o samba e os novos compositores que estavam surgindo e que se reuniam na casa dela.

 

Em uma festa, conheceu o seu mentor, o compositor e violonista baiano Josué de Barros. Foi o primeiro a reconhecer o seu talento e graça. Ele disse, anos mais tarde: “Havia uma luz intensa nos olhos de Carmen e algo de elétrico no seu sorriso”. Foi ele quem a levou para a Rádio Sociedade. Foi vitorioso o seu teste. O primeiro disco foi gravado em 1929: o samba "Não vá simbora" e o choro "Se o samba é moda", os dois de autoria de Josué de Barros.

 

Engraçadinha, criativa, espontânea, meio moleque, Carmen não hesitava em falar um ou outro palavrão. Foram 40 músicas gravadas somente em 1929, quando recebeu os títulos de “Rainha do Disco” e a “A Maior Cantora Popular Brasileira”. Um verdadeiro recorde, sobretudo para uma cantora tão jovem.

 

Em 1931, fez uma turnê internacional para a Argentina e teve tanto sucesso que voltou oito vezes. Na primeira vez, cantou ao lado de Francisco Alves, o Rei da Voz; Mário Reis; e o bandolinista Luperce Miranda. Carmen se tornou um ícone lá também, com o apelido de Carmencita. Cantou na Rádio El Mundo e era querida por todos.

 

Em 1932, foram permitidos anúncios para ocupar 20% e depois 25% da programação das emissoras. Mas antes disso, nos anos 20, ninguém ganhava um centavo com o rádio que não podia veicular comerciais. Não havia dinheiro para remunerar cantores. Cantava-se por gosto e na esperança de, um dia, ser reconhecida.

 

O sonho de entrar para o cinema se realizou a partir de 1926, no filme "A esposa do solteiro". Depois, em 1930, em "Degraus da vida", quando ainda se escrevia degraus com "o". Em 1932, participou de "O Carnaval Cantado de 32"  e, em 1933, "Alô, alô, Carnaval". Ao lado da irmã, Aurora Miranda, interpretou uma das músicas ícones do rádio brasileiro, "Cantoras do rádio", de Alberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo.

 

Carmen estava subindo como um foguete e foi a primeira a ganhar um salário fixo no lugar dos cachês pequenos que os intérpretes gostavam de ganhar, eventualmente, quando se apresentavam nas estações. Foi do elenco fixo da Mayrink Veiga, ao lado do diretor artístico que se tornou grande amigo, César Ladeira.

 

Todos os compositores queriam escrever músicas para Carmen porque era sucesso certo. Foi o caso de Assis Valente, grande artista que deu para Carmen nada menos do que seis canções. Entre elas, 'Good-bye', 'Camisa Listrada', 'Uva de caminhão'. Com Mário Reis, em 1934, cantou para o carnaval, a música 'Alô, Alô'. Outro sucesso.

 

Em 1936, ao lançar a Rádio Tupi de São Paulo, o empresário Assis Chateaubriand resolveu fazer o que muitos consideravam uma loucura. Ofereceu a Carmen Miranda um cachê que superou o da Mayrink. Ela aceitou e provocou uma tempestade na imprensa. Como uma cantora de sambas, uma música considerada vulgar, conseguia tanto dinheiro? Essa era a questão. De volta ao Rio, foi recontratada pela Mayrink Veiga. Carmen nunca trabalhou na Nacional, curiosamente.

 

O último endereço de Carmen no Brasil antes de ir para os EUA foi na Avenida São Sebastião, 131, Urca. A proximidade com o Cassino da Urca facilitou a vida da cantora que se apresentava lá. Seu número "O que e que a baiana tem?", vestida a caráter, fez parte do filme "Banana na Terra", de Wallace Downey, de 1939. A música era de Dorival Caymmi, na época, um jovem que vinha da Bahia em busca de um lugar na música na Capital.

 

Foi no Cassino da Urca que a vida de Carmem Miranda mudou mais uma vez, ao ser convidada para trabalhar nos Estados Unidos. A ligação entre Carmem e a chamada "política de boa vizinhança" dos Estados Unidos rendeu muitas críticas para a cantora.

 

Com colaboração da professora da PUC-RJ e jornalista Rose Esquenazi, o quadro "O rádio faz história" do programa Todas as Vozes desta segunda-feira (5) conta histórias da fase brasileira e carioca de Carmem, e mostra trechos dos sucessos "Camisa Listrada", "Tá hi", "As 5 Estações do Ano", "Alô, alô" e "O que é que a baiana tem".

 

Ouça, no player, o áudio completo.

 

Todas as Vozes vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h20 às 10h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro - 800 kHz, com apresentação do jornalista e radialista Marco Aurélio Carvalho.



Criado em 05/10/2015 - 16:27 e atualizado em 05/10/2015 - 14:48

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