Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

60 anos da Nacional de Brasília: Viva Maria é referência na luta pelos direitos das mulheres

A Rádio Nacional AM de Brasília completa 60 anos no dia 31 de maio de 2018. Até lá conheça os programas que marcaram a história da emissora

Especiais

No AR em 03/11/2017 - 15:18

No dia 14 de setembro de 1981, nascia, na Rádio Nacional AM de Brasília,  o programa Viva Maria. Junto com o programa estreava também, como apresentadora, a jornalista e radialista Mara Régia, que vem marcando a vida de mulheres em todo Brasil.

A inspiração vem da história de vida da própria Mara Régia, que ainda na infância sonhava em poder ajudar  mulheres que, assim como a sua mãe, sofriam com a violência doméstica. "A semente do Viva Maria foi plantada na minha infância, quando infelizmente a minha mãe, vitima de violência doméstica me ensinou os primeiros passos de tentar se libertar numa época em que isso era muito difícil porque as mulheres não tinham o direito de se divorciar muito menos separarem dos maridos, tinham que sofrer calada. (…) Em um desses momentos difíceis, devia ter uns 8 anos eu pensei: Quando eu crescer eu vou fazer alguém coisa para as mulheres não sofrerem, para as mulheres não apanharem de seus maridos", conta.

A história do Viva Maria se confunde também com a história da luta das mulheres no Distrito Federal, na Amazônia e em tantos outros lugares do país. Na conta desse programa estão mobilizações que deram origem a construção da primeira delegacia da mulheres da capital federal, foi berço para a criação do Fórum de Mulheres do DF e foi responsável por pressionar parlamentares para a inclusão, na Constituição Federal,  de direitos até hoje caro às mulheres, como a licença maternidade de 120 dias, licença paternidade, creche de zero a seis anos. 

Como as ondas da Nacional de Brasília, são também as ondas da Nacional do Rio de Janeiro, da Amazônia, do Alto Solimões... o Viva Maria adentrou, dos concretos à Floresta e foi mudar a vida de mulheres, algumas delas que nunca tinham ouvido falar sobre seus direitos, sobre as especificidade dos seus corpos... Algumas, que tinham  as vidas sombreadas pelo machismo e pelo patriarcado, fortes características da cultura brasileira.

O Viva Maria na sua jornada encorajou mulheres e mudou a vida de pessoas como Kennya Silva ouvinte fiel do programa. "O programa Viva Maria na minha vida, especialmente, ele é divisor de águas.  Foi através desse programa que a poesia que eu fiz em homenagem as trabalhadoras rurais, “Uma Maria Quarquer” teve visibilidade e conquistou o coração das mulheres da amazônia. Essa poesia acabou virando representação dessas mulheres, e ao mesmo tempo essas mulheres se identificando com esse poema, escreviam para o programa da Mara, que por sua vez também me impulsionavam. E foi através disso que eu voltei para faculdade, voltei para a escola, na verdade, tinha nem terminado o fundamental. Hoje eu sou pós em língua portuguesa Graças a Deus e a essa força dessas  mulheres que me incentivaram através do Viva Maria".

Mara Régia

Outra Maria que teve a vida cruzada por esse programa foi a escritora Sônia Hirsch. Especializada em saúde e bem estar de mulheres, chegou pelas longas ondas curtas que carregam o Viva Maria pelo Brasil, em locais nunca antes imaginados por ela. Sônia conta como foi a primeira participação no Viva Maria há 34 anos. "Quando eu cheguei na rádio para dar entrevista para Mara Régia eu tive uma surpresa maravilhosa. Porque eu encontrei ali uma pessoa que vibrava com o assunto, que vibrava com a saúde, que vibrava por eu ser uma escritora mulher e por estar levantando bandeiras para favorecer o bem estar das pessoas. Naquela época assim como hoje … era difícil encontrar um jornalista que tivesse uma simpatia pela questão do bem estar. E ali também foi uma surpresa para mim que eu encontrei uma feminista bacana com uma linguagem acessível lidando com a mulher do povo, a mulher da amazônia, a mulher que escrevia cartinha para radio".

A história do Viva Maria foi reconhecida como de importância para a visibilidade feminina em 1990, quando o dia 14 de setembro foi reconhecido como o Dia latino-americano e caribenho da imagem da mulher nos meios de comunicação. E em 2016, nesta data foi também fundada a Rede de Jornalistas com visão de Gênero das Américas fazendo chegar o legado desse programa a ainda mais mulheres no mundo.

Reportagem: Mariana Martins

Sonoplastia: Messias Melo

Produção: Radiojornalismo

Mais do programa