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Momento Literário: Fátima Trinchão é a autora em destaque desta semana

Programa Momento Literário apresenta a obra da escritora

Antena MEC

No AR em 17/05/2022 - 18:00

“Não há momento derradeiro na poesia, esta não acaba ao acabarmos de ler o último poema, ao contrário, ele permanece e vive no nosso cotidiano.” Este é um pequeno trecho escrito por Fátima Trinchão a pedido do editor e escritor Roberto Leal, em 2010, para a apresentação do livro Versatilavra.

Ela descrevia, neste caso, o fazer poético.

A escritora baiana, nascida na cidade de Euclides da Cunha, costuma destacar em sua obra o poder da poesia em nos fazer experimentar as palavras com intensidade e emoção. Tal exercício pode levar o leitor a vivências profundas e encontros com sentimentos não revelados ou externados com facilidade.

Fátima Trinchão ficou conhecida como poeta em 1978 quando o poema Contemplação de uma vida, escrito por ela, foi publicado no caderno literário do jornal A tarde, na época com grande circulação local e nacional.

No mesmo jornal, foram publicados o conto Roda viva e o poema Deus. A partir daí, as publicações não pararam e poemas passaram a fazer de parte de antologias. 

Em 2010 lançou o livro Ecos do passado, com 44 poemas. O trabalho de Fátima Trinchão foi ganhando espaço não só pelos poemas e contos, mas também pelas crônicas, cordeis e dramaturgia.

São tantas participações em publicações e antologias que Fátima Trinchão coleciona leitores e se tornou uma das autoras negras de grande destaque no país. A vida na Bahia é um registro presente em muitos de seus textos. O respeito à ancestralidade e ao lugar em que nasceu é recorrente em sua obra. 

Este Momento Literário se encerra com um poema que ela dedicou ao estado onde nasceu, ao povo baiano e à alegria de sua gente. 

"Bahia Cosmopolita

Faz-se manhã extraordinariamente bela
Na bela São Salvador, o sol pujante desperta
Em céu de festa enfeitado, revelado em aquarela,
Naquela velha cidade, naquela cidade tão bela,
Tão fervilhante de gentes, que descem e sobem ladeiras,
Em singular convivência do passado com o presente.

Gentes de todas as graças, gentes de todas as cores,
Gentes de tantos credos, gentes de tantas raças.
Gentes de mis amores, Gente que vem e passa
Gente que ri e cora, gente que chega e parte,
Gente que sonha e chora, no alvedrio da tarde,
Gentes de todas as gentes, gente de tanta gente,
Gente de toda parte, Gente de cá e de lá,
Gente de todo Orixá, Orixás de tantas gentes
Porque todas essas gentes também
têm seus Orixás,
Unos Neles nós estamos.
Maravilha das Maravilhas!
Nesse caldeirão de gente,
Tão diversos e tão semelhantes
o que importa é o ser gente.
E na brisa que o calor ameniza,
É gente de todo o mundo,
É gente do mundo todo,
É todo um mundo de gente!
Bahia cosmopolita,
Tão fervilhante de gentes,
Que descem e sobem ladeiras
Em singular convivência
Do passado com o presente"
.

Criado em 17/05/2022 - 16:32 - Episódio Momento Literário - Fátima Trinchão

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